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Entrevista: Conheça o universo sonoro da Fantástico Caramelo

Banda revela tudo sobre sua história, elementos visuais e narrativos por trás de suas obras audiovisuais, bem como o processo criativo por trás de suas músicas.

Foto dos integrantes da banda Fantástico Caramelo.

Em atividade desde 2020, a banda radicada em Rio do Sul–SC, Fantástico Caramelo, é formada por Nayara Lamego (voz), Henrique Marquez (guitarra), Gabriel Alves (guitarra e sintetizador), Diego Pereira (baixo) e Marcelo Sutil (bateria).

Seu álbum de estreia, Em Quatro Três Dois (2021), os colocou em destaque entre os nomes do cenário musical alternativo brasileiro, além de ter rendido uma premiação de 1º lugar no Festival da Canção Entre Rios, na categoria Música Autoral, com o single Pura Conexão; e a exibição do clipe de Tchuru no Canal Bis.

Em 2024, o grupo apresenta seu segundo disco de estúdio, Nas Colinas Astrais, antecipado pelos singles Alquimia e Goteira de Amor.

Nesta entrevista com a banda, mergulhamos na essência de sua música, desde a escolha da frequência de 432hz até a fusão de gêneros como indie, pop e reggae e muito mais.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro, é um prazer poder recebê-los no Folk, e gostaria de começar perguntando: Vocês utilizam a frequência de 432hz em suas músicas, poderiam explicar um pouco mais sobre essa escolha e como ela influencia a experiência auditiva do ouvinte ao escutar as faixas do álbum?

Fantástico Caramelo/Henrique Marquez: Desde o início da banda, eu (Henrique Marquez) e a Nay (Nayara Lamego) compomos a primeira leva de músicas nessa afinação e percebemos que soava diferente, mesmo com voz e violão, já conhecíamos essa afinação e por ser a frequência da natureza achamos tudo a ver com a proposta que queríamos para o projeto.

Nos registros feitos no celular, percebemos que aquelas músicas tinham grande potencial, quase como um presente divino, criando uma conexão com o universo.

Esses áudios foram cruciais no convite para os músicos entrarem na banda, Gabriel Alves, Diego Pereira e Marcelo Sutil.

Quando incluímos os instrumentos, as guitarras, sintetizador, baixo e bateria, a magia aconteceu e foi nítido para a gente que era um caminho sem volta, pura conexão.

A sonoridade da Fantástico Caramelo nasceu assim, e temos noção do poder da nossa música e a experiência que ela proporciona para as pessoas que a ouvem.

Com essa frequência, criamos uma atmosfera única, em alguns momentos até inexplicável.

Isso foi tão importante para a gente, que acabou levando o nome do nosso álbum de estreia: Fantástico Caramelo Em quatro três dois, uma referência a 432hz.

Victor Hugo Cavalcante: Além da música, vocês também investem em elementos visuais, como a capa do álbum e os clipes. Como é o processo criativo para integrar esses aspectos visuais à narrativa e à atmosfera das músicas?

Nayara Lamego: Eu e o Henrique sempre trabalhamos com audiovisual.

Isso facilitou todo o processo de criação de roteiros, direção de arte, fotografia…

Foi mediante projetos de incentivo à cultura que tivemos a oportunidade de colocar nossas ideias em prática.

Gostamos muito de trazer mensagens subliminares nos nossos trabalhos. Tudo está de certa forma interligado.

Nas Colinas Atrais é uma continuação do álbum Em Quatro Três Dois, como se através de um portal (a porta branca) a gente tivesse ido para outra dimensão, trazendo um lado mais alternativo, misterioso e psicodélico.

Os figurinos também são importantíssimos nessa jornada.

Nos inspiramos em blondie, filmes do Tarantino, máfia japonesa e em até experiências sobrenaturais para compor o conceito.

Esse cuidado de alinhar sonoridade e visual é um diferencial da Fantástico Caramelo.

Victor Hugo Cavalcante: A fusão de gêneros musicais, como o indie, o pop e o reggae, é uma característica marcante da sonoridade da Fantástico Caramelo. Como vocês conseguem equilibrar esses diferentes estilos para criar uma identidade sonora coesa?

Essa sonoridade marcante da banda, surgiu de experimentos nos ensaios.

Cada integrante traz as suas referências e particularidades e a mistura de tudo isso, resultou nesse som alternativo e único.

Nesse segundo álbum a gente explorou mais os sintetizadores, passeando do pós-punk ao surf music.

Nesse caldeirão sonoro, misturamos outros gêneros como a bossa nova, blues e o reggae.

A junção de tudo isso, é a cara do novo álbum Nas Colinas Astrais que será lançado no dia 23 de agosto de 2024.

Esse é um disco de rock alternativo cheio de experimentações, mantendo o DNA da Fantástico Caramelo e trazendo um novo lado da banda.

Victor Hugo Cavalcante: Como foi o processo de criação da música Goteira de Amor, desde a inspiração inicial até a gravação nos estúdios em Curitiba?

Nay Lamego: Goteira de amor foi para uma linha mais pós-punk, com referência de New Order, um eletrônico totalmente orgânico com bateria, baixo, guitarras e sintetizador, não fizemos nada no computador.

A letra passa uma ideia melancólica, mas a música é mais dançante, trouxemos o reggae também.

Ela nasceu num dia chuvoso e fala sobre escolhas, de cortar o mal pela raiz, desviando de amores rasos, sem futuro, que parecem promissores.

Eu adoro essa música, apesar da melancolia, ela te faz dançar e curtir a vibe.

Isso é incrível para mim.

Essa música surgiu em um dia chuvoso, onde uma goteira encheu um balde de gelo.

O Henrique trouxe a ideia para o estúdio e juntos, testamos idiomas e concluímos a letra e harmonia, resultando nesse hino indie pop.

Todas as músicas são composições minhas e do Henrique.

Escolhemos gravar o disco em Curitiba pelo case do estúdio, com nomes como Terno Rei e Jovem Dionísio, e pela estrutura e equipamento que o Nico’s Studio oferece.

Gravamos o disco em quatro dias de 9 a 12 de julho de 2022.

Uma curiosidade sobre tudo isso, é que gravamos o álbum duas vezes.

Para otimizar o processo de gravação em Curitiba, gravamos e arranjamos as oito músicas em Rio do Sul–SC, e replicamos no Nico’s Studio nesses quatro dias.

A produção do álbum é de Rafael Rossetto, que assina a produção do nosso primeiro álbum também.

Victor Hugo Cavalcante: A escolha de incluir três idiomas diferentes na mesma música é intrigante. Vocês poderiam falar um pouco mais sobre a decisão de cantar em português, espanhol e inglês e como isso se relaciona com a mensagem da canção?

Essa fórmula de misturar os três idiomas, surgiu por acaso em Pura Conexão, nosso single de estreia.

Como deu super certo, decidimos ter uma música no segundo álbum nesse formato.

A ideia do espanhol, veio com a experiência da Nay num mochilão pela América Latina, e o inglês veio comigo, das influências que tenho do rock alternativo dos anos 90.

Essa foi uma maneira que encontramos de levar nosso trabalho mais longe, conectando pessoas de outros países com nosso som.

Victor Hugo Cavalcante: O novo álbum, Nas Colinas Astrais, parece trazer uma continuidade ao trabalho da banda. Que elementos e temas podemos esperar encontrar nesse novo trabalho em comparação com o álbum de estreia, Em Quatro Três Dois?

Sim, ele é uma continuidade.

Como se o primeiro álbum tivesse aberto uma passagem para uma nova dimensão.

Em Nas Colinas Astrais, é possível notar essa conexão com o divino.
Transitamos pelo misticismo, astrologia e tarô.

O álbum fala da energia do universo, da geometria sagrada e como tudo isso influencia no dia a dia das nossas vidas, na tomada de decisões, nas nossas escolhas e a maneira como o universo nos ajuda na nossa jornada.

Ele aborda o desconhecido e o óbvio com ironia e bom humor, com vários hits, que vão te levar para uma viagem fantástica e interestelar do início ao fim.

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