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Entrevista: Eline Sato revela segredos do passado em livro

A autora do livro Segredos do Passado conta os segredos de uma boa história dividida em duas partes, suas influências e muito mais.

Foto da escitora e entrevistada Eline Sato.

Myla é uma jovem mulher, feliz e radiante, mas que leva consigo momentos marcados por tragédias, medo e violência psicológica.

Ela é a protagonista de Segredos do passado, novo romance da escritora e psicanalista Eline Sato, que expõe as duras tentativas e caminhos percorridos por uma vítima de relacionamento tóxico para se recompor, refazer a própria vida e lidar com as sombras do que viveu.

Descubra agora os segredos do livro e da escritora que conta essa história e prepare-se para uma história intensa de romance, mistério, sexo e redenção:

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer recebê-la no Jornal Folk, e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como a sua formação como psicanalista influenciou a criação da protagonista Myla e a abordagem dos temas como abuso, relacionamentos tóxicos e saúde mental em Segredos do Passado?

Eline Sato: O livro foi moldado pela minha jornada profissional, desde minha atuação como Analista de Sistemas até o período em que trabalhei com casais, tanto dentro quanto fora do ambiente empresarial. Minha experiência e conhecimento, aliados aos estudos em psicologia comportamental, foram a base para as inspirações dos personagens.

No entanto, Segredos do Passado teve seu início durante o período em que me aprofundei nos estudos de psicanálise, o que estava muito presente em minha mente na época.

Essas duas vertentes caminharam lado a lado, resultando na abordagem intensa dos temas presentes no livro.

Victor Hugo Cavalcante: Segredos do Passado aborda questões complexas como violência psicológica, relações familiares tóxicas e a busca por justiça. Como você equilibrou a sensibilidade ao lidar com esses temas difíceis enquanto construía a narrativa?

Não foi uma jornada fácil!

Houve momentos em que considerei desistir, passando semanas e até meses sem conseguir escrever uma única palavra, especialmente devido aos bloqueios relacionados ao personagem principal, Vincenzo, que inicialmente apresenta um comportamento abusivo.

No entanto, eventualmente, consegui me reconectar com ele e percebi que as leitoras betas o amavam como deveriam, apesar das controvérsias iniciais e dos conflitos que o personagem enfrenta dentro de contextos familiares e culturais.

A opinião das betas foi fundamental nesse processo.

A ideia era partir da realidade, enfrentando cada um desses temas e deixando uma marca indelével sobre minha identidade e missão na literatura, que é provocar reflexões dentro de contextos sensíveis, como a toxicidade nos relacionamentos e a busca pela justiça.

Todos que enfrentam esses problemas passam eventualmente por questionamentos psicológicos e podem até desenvolver transtornos mentais, o que é abordado de forma direta e impactante no livro.

Procurei equilibrar esses aspectos, cuidando dos gatilhos, o que deixo claro logo no prefácio, mas buscando a realidade de pessoas que realmente vivenciam esse contexto.

Victor Hugo Cavalcante: O romance também destaca a importância da saúde mental e da terapia na jornada de Myla. Como você vê a representação desses aspectos na literatura contemporânea e qual mensagem você espera transmitir aos leitores através dessa abordagem?

Na literatura contemporânea, a representação da saúde mental e da terapia está se tornando cada vez mais relevante e essencial.

Ao destacar esses aspectos no romance, espero transmitir aos leitores a mensagem de que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física.

Quero mostrar que é normal e fundamental buscar ajuda profissional para lidar com questões emocionais e psicológicas, e que a terapia pode ser uma ferramenta poderosa na jornada de autoconhecimento e melhoria emocional, não digo nem a cura, porque isso é muito pessoal e individualizado.

Além disso, espero que os leitores percebam a importância de desestigmatizar os problemas de saúde mental e que se sintam encorajados a buscar apoio quando necessário.

Victor Hugo Cavalcante: O enredo do livro é compartilhado entre diferentes perspectivas, incluindo a de Vincenzo e da melhor amiga Carol. Como você abordou essas vozes narrativas adicionais para enriquecer a história e a compreensão dos temas abordados?

Minha intenção era criar um livro verdadeiramente único, e não uma série, mas dada a sensibilidade dos temas e a complexidade dos personagens, com suas profundas questões psicológicas, foi essencial permitir que a voz de Vincenzo fosse ouvida.

Isso possibilitou aos leitores uma compreensão mais delicada das camadas do personagem, permitindo-lhes explorar os sentimentos do protagonista enquanto a história se desenrolava.

No início da narrativa, Vincenzo pode parecer um homem comum, movido apenas pelo desejo de conquistar Myla, sem muita profundidade.

No entanto, ao ouvirmos sua perspectiva a partir do capítulo 4, uma nova visão do personagem se revela.

Cada voz dos personagens oferece uma nova perspectiva do enredo.

No caso de Carol, sua voz foi fundamental, especialmente durante o clímax da história entre Vincenzo e Myla.

Somente ela poderia narrar esse ponto crucial da história, mantendo os leitores na expectativa e intensificando o drama.

O que eu não esperava era que os leitores me pedissem para criar histórias com os outros personagens que são muito intensos.

Todos possuem os seus traumas e angústias e já estou escrevendo cada um deles.

Victor Hugo Cavalcante: Além de ser uma história de suspense romântico, Segredos do Passado também explora a sensualidade e a redescoberta do prazer feminino. Como você concebeu esses aspectos dentro da narrativa e qual é a importância de abordá-los de forma responsável?

Escrever este livro foi uma jornada desafiadora!

Ao lidar com temas sensíveis e incluir elementos eróticos, atendendo aos pedidos dos leitores, enfrentei o desafio de encontrar um equilíbrio que preservasse minha identidade como escritora.

Não queria que a narrativa retratasse o sexo de forma exagerada ou banalizada, transformando-se apenas em um romance picante.

A utilização do sexo como uma forma de escape psicológico para a personagem era parte de um contexto comum de fugas emocionais, mas eu precisava garantir que os leitores pudessem sentir empatia pelo sofrimento dela ao lidar com suas emoções.

Durante o processo de revisão pela editora e a avaliação psicológica, cada capítulo era analisado em relação à linguagem utilizada e recebia as gargalhadas do meu editor, por diversas vezes a linguagem se aproxima do poético! (Risos)

Meu objetivo era ser responsável ao não romantizar o comportamento abusivo do personagem e, ao mesmo tempo, manter minha voz autoral intacta, mesmo ao escrever um romance erótico.

Victor Hugo Cavalcante: Como foi o processo de pesquisa e revisão técnica envolvendo profissionais da área da saúde e do direito para garantir a precisão e a responsabilidade na abordagem dos temas sensíveis presentes em Segredos do Passado?

Surpreendentemente, uma das partes mais divertidas do processo foi a pesquisa meticulosa de locais, leis e fatos que fundamentaram o livro, culminando na colaboração de profissionais técnicos.

Fiquei imensamente satisfeita com o feedback recebido de cada especialista, pois isso confirmou que alcancei meu objetivo de abordar temas sensíveis sem comprometer a integridade legal.

No que diz respeito à saúde, cada aspecto foi cuidadosamente trabalhado para garantir a coerência dos personagens ao longo da narrativa.

Além disso, ouvir os comentários divertidos do revisor a cada capítulo foi uma experiência realmente enriquecedora; Erik Gabriel Thomazi (CRP 06/133406) conseguiu transformar um processo desafiador em algo mais leve, o que nos permitiu concluir o livro extenso em tempo recorde.

Quanto à abordagem jurídica, recebi uma verdadeira lição da Dra. Letícia Bittencourt Carvalho Bernardes (OAB/RS 112.343), advogada especializada em Direito Penal.

Ela analisou detalhadamente a narrativa e explicou a realidade das mulheres que vivenciam essas situações, servindo de base para o desfecho da história.

Meu objetivo era retratar fielmente a realidade de uma mulher nesse contexto, explorando seus pensamentos e decisões em consonância com sua vida.

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