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Tímidos e introvertidos são diferentes entre si

Psicóloga explica que timidez está ligada à insegurança e a introversão tem relação à pessoa que gosta da solitude e que não são sintomas de nenhum transtorno.

Foto de uma mulher negra sentada sozinha no sofá.

Crédito: Freepik

Na sociedade em geral, a cobrança para que as pessoas sejam sempre alegres, extrovertidas e participativas pode fazer quem tem uma personalidade diferente sentir-se pressionado.

Mas, tentar forçar um comportamento soa artificialidade e pode voltar contra si.

Ao mesmo tempo, familiares e amigos encontram dificuldade de conviver com pessoas tímidas ou introvertidas.

A psicóloga Ana Beatriz Sahium, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica sobre como distinguir essas duas características e dá dicas de convivência.

“A grande diferença é que o tímido tem prazer em conviver com as outras pessoas, ele até deseja a interação. Só que o que comanda o tímido são pensamentos muito intrusivos: no momento da interação ele fica pensando no que as pessoas estão pensando dele. Já o introvertido não tem problemas em interagir em diversos ambientes, só que ele prefere estar sozinho, curte sua própria companhia”.

Essas personalidades podem trazer desconfortos para quem as possui.

“O tímido é uma pessoa que, possivelmente, sempre vive com uma ansiedade mais elevada, um pensamento mais acelerado, e tem dificuldade em estar com pessoas que não conhece. Acaba até atrapalhando algumas habilidades e seus relacionamentos interpessoais”, diz a especialista.

A introversão também acarreta consequências.

“Quem convive com o introvertido pode achar que ele não faz questão das pessoas”, detalha.

Para lidar com aqueles que possuem essas características, a psicóloga orienta.

“Com o tímido é mais fácil, deve-se promover uma certa segurança para essa pessoa, reforçar o quanto se gosta de estar com ela. Com o introvertido é mais difícil, é preciso entender e respeitar como ele gosta de se relacionar, como não vai se sentir invadido”, explica.

Ambas características podem ser atenuadas.

“O primeiro passo é desejar a mudança, é assim que começa todo o processo de mudança. É quando eu observo o quanto aquilo me traz malefícios, o quanto me atrapalha e busco os meios de melhora”, afirma Ana Beatriz.

“Em processos terapêuticos, o introvertido deve entender porque tem a necessidade de ficar sozinho e o tímido precisa desenvolver a autoconfiança”, aponta a especialista.

Ela lembra ainda que, ao contrário do que muitos pensam, nenhum destes dois comportamentos estão, necessariamente, relacionados a algum transtorno.

Contudo, Ana Beatriz Sahium ressalta que é importante observar as mudanças de comportamento em indivíduos que não têm este traço e começam a se portar assim.

“Neste caso, é recomendável que investigue o que pode estar por trás disto”, afirma.

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