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Teatro Commune recebe espetáculo de João Garcia Miguel

O espetáculo Ode Marítima Remix leva o público a uma aventura de desdobramentos, de diálogos entre a infância e a vida adulta, num jogo entre locais conhecidos e desconhecidos, geografias interiores e exteriores.

Banner de reprodução do espetáculo Ode Marítima Remix

Dias 27, 28 e 29 de outubro, sexta, sábado e domingo, o português João Garcia Miguel vem ao Brasil para encenar o espetáculo Ode Marítima Remix no Teatro Commune.

A Companhia João Garcia Miguel tem o apoio financeiro da DGARTES e do Governo de Portugal.

O projeto é uma parceria entre Companhia João Garcia Miguel com a Commune e Teatro Commune de São Paulo.

O preço dos ingressos varia de R$ 40,00 a R$ 20,00 (meia) e podem ser comprado via Sympla.

Ode Marítima Remix é uma peça a partir de poemas de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, interpretado por um ator, João Garcia Miguel, e um músico, Felipe Antunes.

As práticas artísticas de João Garcia Miguel caracterizam-se pelo experimentalismo performativo e a preocupação com o papel do artista enquanto investigador e interventor social.

O ator é doutor pela FBAUL em 2017, em Performance Corpo e Inconsciente.

Em 2008, recebeu o Prêmio FAD Sebastià Gasch, na Espanha, em 2014, recebeu prêmio para a melhor encenação teatral com Yerma de Federico Garcia Lorca pela SPA (Sociedade Portuguesa de Autores).

No Brasil, a Cia João Garcia Miguel já apresentou várias peças que escreveu e encenou, como Yerma (Prêmio SPA para Melhor Espetáculo de Teatro) e As Barcas.

“(…) Ó clamoroso chamamento

A cujo calor, cuja fúria fervem em mim

Numa unidade explosiva todas as minhas ânsias

Meus próprios tédios tornados dinâmicos, todos!…

Apelo lançado ao meu sangue

De um amor passado, não sei onde, que volve

E ainda tem força para me atrair e puxar,

Que ainda tem força para me fazer odiar esta vida

Que passo entre a impenetrabilidade física e psíquica

da gente real com quem vivo (…)”.

Poema selvagem e compulsivo da partida e do regresso, viagem inefável pelos sentidos numa arritmia sensual e explosiva, rica nas suas metáforas, inebriante nas suas enumerações nervosas e sincopadas.

Um golpe que o mergulhar do corpo dá mar adentro, por todo esse mar. 

Uma consciência que antecipa a nossa própria consciência e condição, um hino sensacionista à redenção e sobre essa contemporaneidade que foi a de Pessoa e que agora, por mais estranho que possa parecer, é aquela em que nos detemos por nos estar ainda tão próxima e presente.

Um monólogo de muitos diálogos com o mundo inteiro, dividido nas suas múltiplas aparições, como uma noite estrelada ou os aromas texturais de uma brisa marítima.

Uma proposta onde os principais elementos são o som, a luz, a espacialização cênica e a eterna ironia.

Como um espelho estilhaçado por uma bola, chutada por uma criança no quarto, também o real de Álvaro de Campos, como bom futurista, explode em fragmentos dispersos de perspectivas vítreas, reluzentes e aleatórias.

Ode Marítima Remix, com o seu ritmo, a profusão e multiplicação de imagens poéticas, a obsessiva exploração de inúmeras tomadas de vista e perspectivas, ou o seu recorrente apelo e exploração de mecanismos sinestésicos, demonstram bem os efeitos de uma poesia fundada na leitura fragmentária do todo.

Este todo invade o corpo e os sentidos. 

“O projeto Ode Marítima Remix é um desafio ao ator que não sou, um desafio performativo exposto através da exploração sonora, emocional, física e musical”, conta João Garcia Miguel.

A cada nova série de espetáculos o ator convida um músico que trabalho num regime de residência artística em uma nova adaptação ao universo poético de Álvaro de Campos.

Em cada nova reencenação o poema levanta-se como uma bandeira que surge do passado num aceno de formas e campos de consciência que nos coloca em jogo.

“O poema é nosso e nós fazemos parte dele. É como se fizéssemos de novo rodar a história, a nossa história comum de uma humanidade que se constrói hoje, dia a dia” completa.

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