A artista visual baiana Mirela Cabral (foto principal), 34, participou da SP-Arte 2026 (8 a 12 de abril de 2026 no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, São Paulo) com um projeto inédito que marca um novo momento em sua trajetória.
Representada pela Galeria Paulo Darze, a artista apresentou uma investigação que tensiona pintura, objeto e circulação da obra, propondo um novo gesto no circuito tradicional da arte.
No evento, Mirela lançou uma série inédita que nasce de um ponto de fricção entre o tempo da pintura e a urgência contemporânea, reflexão do próprio desejo imediato de ter uma obra, sem precisar esperar o tempo de secagem.
As pinturas são feitas com tinta a óleo sobre linho, técnica que pode levar anos para secagem completa.
A partir dessa investigação, surge o projeto central apresentado na feira: uma edição limitada de pinturas originais em pequeno formato, incorporadas a uma bolsa.
Mirela iniciou sua carreira na pintura figurativa, migrando posteriormente para a abstração.
Agora, retorna à imagem com uma abordagem expandida, incorporando diferentes mídias e camadas conceituais.
O resultado é uma produção que transita entre linguagens e questiona limites, uma prática que a própria artista define como “multimídia”.
Com este projeto, Mirela Cabral inaugura um capítulo em sua trajetória, no qual a pintura se expande para além da superfície e habita o corpo, o espaço e o cotidiano, propondo uma reflexão sensível sobre tempo, desejo e circulação no sistema da arte contemporânea.
Nesse lançamento, cada peça carrega uma pintura original, questionando o próprio conceito de reprodução.
Mais do que suporte, a bolsa se torna dispositivo, assim a obra pode ser transportada, utilizada ou instalada.
Ao adquirir a peça, o público decide se mantém a pintura incorporada ao objeto, se utiliza a bolsa no cotidiano ou se desloca a obra para a parede.
O projeto propõe uma inversão simbólica: a obra deixa de ser apenas contemplativa e circula no mundo.
Nesse gesto, Mirela indaga não apenas a lógica de consumo, mas também a rigidez dos formatos expositivos e a distância entre arte e vida.
O desenvolvimento da peça envolveu um processo experimental marcado por sucessivas transformações, de caixa a maleta, até chegar ao formato final de bolsa.
A solução surgiu a partir da investigação sobre funcionalidade e estrutura, consolidando o objeto como extensão da pintura.
Para isso, Jubba Sam, criador da Dod Alfaiataria, entrou como parceiro ao desenvolver a alça da bolsa.
Como desdobramento conceitual, a artista também irá disponibilizar em seu Instagram um PDF com instruções para a construção da bolsa, em referência ao designer italiano Enzo Mari e sua proposta de democratização do design por meio de projetos abertos.
A participação ativa do público é um eixo central do trabalho.
Ao permitir que o colecionador leve a obra consigo imediatamente após a aquisição e escolha sua forma de uso, Mirela desloca o espectador para o interior do processo artístico, aproximando-se de tradições que convidam à experiência e à interação.
Na SP-Arte 2026, as obras foram apresentadas tanto na parede quanto incorporadas às bolsas, reforçando a dualidade entre pintura e objeto.
A artista também dialoga com uma linhagem de produção brasileira que pensa a obra como experiência e atravessamento.
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