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Entrevista: Exposição une contraponto de artistas plásticas

Maria Helena Messeder e Marilene Tapias apresentarão a exposição Contrapontos no Shopping Cassino Atlântico e é claro que nós fomos saber mais dessa novidade.

Foto-montagem das artistas plásticas Maria Helena Messeder e Marilene Tapias.

Á partir do dia 09 de março a Ava Galleria Rio estará apresentando a exposição Contraponto, que traz as artistas Maria Helena Messeder e Marilene Tapias para mostrar obras de expressões opostas, mas que conversam entre si pelo forte apelo preservacional e sustentável.

Economista por formação, Maria Helena Messeder sempre foi amante das artes. Por conta deste interesse, fez cursos de técnicas artísticas e cursos temáticos de arte, no Brasil e no exterior.

Descobriu a colagem em 2017 e desde então vem se dedicando à técnica de colagem analógica, com trabalhos que já passaram por diversas fases.

Participou da VI Edição da Bienal Europeia e Latina Americana de Arte Contemporânea e a exposição Contraponto é a primeira em que apresenta um conjunto de seus trabalhos.

Marilene Tapias é formada em comunicação, onde trabalhou até 2008.

Após um ano sabático para se auto avaliar e escolher novos caminhos, chegou à Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

De atelier em atelier, teve aulas com expoentes da Geração 80 como Maria do Carmo Secco, Katie Van Scherpenberg, Malu Fatorelli e Nelly Gutmacher e com esta última continuou sua produção, que segue até hoje.

Agora, as duas artistas plásticas apresentam um pouco sobre suas obras, a exposição e muito mais na entrevista abaixo.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer recebê-las no Jornal Folk, e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Maria Helena, sua abordagem de trabalhar com materiais descartáveis e reutilizáveis são notavelmente únicas. Como você vê o papel da arte na conscientização ambiental e na promoção da sustentabilidade?

Maria Helena Messeder: Como o meu trabalho artístico é a colagem analógica, eu sempre trabalhei com papel nas suas mais diversas formas.

Desde o início, utilizo, na maior parte dos meus trabalhos, material já descartado: revistas, jornais, outras publicações, restos de caixas, papelão, etc.

O artista da colagem é quase um garimpeiro, que recicla materiais e dá nova vida a eles em composições que podem ser figurativas ou abstratas, e expressam os mais diversos sentimentos e emoções como toda a arte.

Fazer colagem, é, portanto, transformar algo que não seria mais utilizado em “arte” e neste sentido é altamente sustentável e tem tudo a ver com a conscientização ambiental tão importante nos nossos tempos.

Victor Hugo Cavalcante: Marilene, sua utilização de flores e cores vivas é uma característica marcante de suas obras. Como você acha que a natureza e a vida vegetal influenciam sua arte e a mensagem que deseja transmitir?

Marilene Tapias: Desde menina estive intimamente ligada à natureza, através de meu pai, um português que não só procurou fazer a América, mas que trouxe de sua vivência na quinta de seus pais no Douro o prazer de mexer na terra, plantar e ver frutificar.

Acompanhei de perto as experiências desde jardineiro que, no final da vida, chegou a ganhar prêmios com seu cultivo e enxertos de rosas em Teresópolis, onde vivemos até os meus 15 anos.

Pintar flores é reeditar um passado feliz e cultivar, de outra forma, a beleza que existe, de graça, na natureza.

Victor Hugo Cavalcante: Maria Helena, suas obras têm uma capacidade única de transformar materiais descartáveis em algo belo e emocionalmente evocativo. Você poderia compartilhar conosco um pouco sobre seu processo criativo e como você escolhe os materiais para suas obras?

No meu caso, os trabalhos surgem conforme o material.

É a partir do material que inicio o processo criativo.

Meus trabalhos já passaram por diversas fases.

Comecei as colagens com formas geométricas e orgânicas, com muita cor; trabalhando com revistas e publicações antigas, passei por uma longa fase de trabalhos figurativos.

Depois, além da tesoura, passei a rasgar os papéis.

Mais recentemente comecei a trabalhar com materiais mais rústicos como caixas, papelão, papel corrugado, pedaços de tecido e introduzi a linha, além da cola, para unir os pedaços e formar um pequeno quebra-cabeça.

Portanto, é a partir do material que a inspiração vem e as formas vão surgindo naturalmente.

E, como o material é o propulsor do trabalho, considero mais sustentável ainda.

Os trabalhos desta mostra são todos em cores neutras, de material rústico, cortado, rasgado, colado, emendado, costurado.

Além disso, as colagens não são sobre papel e sim entre os materiais utilizados em cada composição, são quase uma escultura e têm uma terceira dimensão.

Elas são apresentadas em caixas acrílicas para visualizar este efeito.

O título Fora da Caixa é uma brincadeira entre o tipo de trabalho e a forma de apresentação.

Victor Hugo Cavalcante: Marilene, ao criar suas obras, você busca capturar emoções específicas nos observadores. Como você espera que as pessoas reajam ao ver suas pinturas na exposição Contraponto e qual é a principal emoção que você espera evocar nelas?

O que desejo é provocar um olhar diferenciado para as infinitas nuances que existem na natureza, especialmente no Brasil, cuja flora é de uma riqueza inimaginável e relembrar a todos que sua preservação é a preservação da beleza em seu estado mais puro e dela depende, sobretudo, nossa sobrevivência no planeta.

Victor Hugo Cavalcante: Maria Helena, sua escolha de cores neutras contrasta de forma intrigante com a vibrante paleta de Marilene Tapias. Como você acha que essa divergência de estilo contribui para a dinâmica geral da exposição Contraponto?

Dividir esta exposição com a Marilene é um prazer.

Além de achar o trabalho dela lindo, somos bastante próximas, pois ambas somos alunas da Nelly Gutmacher.

É muito incrível porque na mostra apresentamos trabalhos muito diferentes: o da Marilene colorido e o meu em cores neutras; técnicas e forma de apresentação também diferentes.

E estarmos juntas, no mesmo espaço, tem tudo a ver com o mundo atual, múltiplo, onde devemos aceitar e conviver com as diferenças.

Além disso, o belo não tem padrão.

Na minha opinião, esta exposição, além de bela, traz esta mensagem.

Victor Hugo Cavalcante: Marilene, a exposição Contraponto destaca as diferenças entre seus estilos e o de Maria Helena Messeder. Como você acredita que essa contraposição de estilos enriquece a experiência dos espectadores e a compreensão da arte contemporânea?

Acho que Maria Helena e eu convergimos no sentido de ter a Ecologia como base de nosso trabalho.

No caso dela, com pleno aproveitamento de material normalmente descartado de uma forma criativa e bem elaborada, mostrando que é possível criar beleza de qualquer coisa existente no mundo.

No meu caso, é buscar pela “over dose” de cores, impregnar o olhar dominado pelos cinzas e pretos das cidades, para levar as pessoas a buscarem no seu dia-a-dia o colorido possível existente na vida e que, muitas vezes, não percebemos.

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