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Cia Pia Fraus: bate-papo sobre o espetáculo Bichos do Brasil

Beto Andreetta, criador do Teatro Portátil e diretor da Cia Pia Fraus, apresenta um pouco mais do espetáculo que está sendo apresentado no Teatro Portátil.

Foto de Beto Andreetta, criador do Teatro Portátil e diretor da Cia Pia Fraus.

Do latim, “uma mentira contada com boas intenções” a Cia Pia FraUs com os seus 40 anos de existência, já se apresentou em diversos países nos principais festivais (inter)nacionais de teatro e criou dezenas de espetáculos teatrais infantis.

Entre estes espetáculos, se encontra a peça Bichos do Brasil, que retrata a riqueza da fauna brasileira em um teatro bem fora do comum.

Bichos do Brasil é um espetáculo que busca retratar a riqueza da fauna brasileira por meio de recursos plásticos, sonoros e coreográficos. Crédito: Zeca Caldeira

Recentemente a cidade de Mauá recebeu este espetáculo nos dias 23, 24 e 25 de maio no Teatro Portátil da cia.

E hoje nós conversamos um pouco com seu diretor Beto Andreeta sobre este trabalho teatral, influências e muito mais.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é sempre um prazer recebê-los no Folk, e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Qual foi a principal inspiração por trás da criação de Bichos do Brasil? Como surgiu a ideia de retratar a fauna brasileira de maneira tão única e criativa?

Beto Andreetta/Cia Pia Fraus:

A inspiração para Bichos do Brasil, na verdade, foi a cultura popular brasileira.

A Pia Fraus sempre gostou da cultura popular brasileira.

Desde o começo, em 1984, o nosso primeiro espetáculo foi sobre cultura popular brasileira.

Mas aí passaram-se muitos anos e no ano de 2001, quando estreou Bichos do Brasil, eu percebi, ao acompanhar a infância dos meus filhos, como eles tinham empatia com os animais, como as crianças gostam e interagem com os bichos.

Em uma viagem para Ilha Bela vi a interação dos meus filhos com tucanos, macacos, e essas duas coisas juntas, o ambiente da Ilha Bela e a infância dos meus filhos, foram as motivações para Bichos do Brasil.

E o resultado dessa maneira única e criativa foi o resultado de toda a nossa pesquisa que a gente já vinha trabalhando, em formas diferentes de bonecos, tem muita palha, muita cabaça.

Também foi uma forma que juntasse muito a expressão corporal que a gente sempre teve.

Não éramos bailarinos, mas sempre gostamos de dançar e de se expressar fisicamente.

Então, essa junção de fisicalidade, materialidade, cor, forma de bonecos, essa é a grande brincadeira de Bichos do Brasil.

Victor Hugo Cavalcante: Como foi o processo de desenvolvimento dos recursos plásticos, sonoros e coreográficos utilizados no espetáculo mencionado anteriormente? Quais foram os maiores desafios durante a criação e produção dos esquetes?

Sobre os desafios, eu lembro que foi um processo muito suave, muito fluido, fizemos o roteiro de maneira muito suave e começamos a produzir de maneira muito orgânica.

Tudo foi muito natural.

Durante uma turnê que fizemos com 26 espetáculos, fomos testando coisas e fomos tirando cenas e colocando outras.

Então, não lembro muito das dificuldades, tenho uma memória de ter sido uma grande felicidade, um processo muito fluido em que um falava e o outro completava.

O Beto Lima (que já faleceu), era o artista plástico que deu a forma dos bonecos de Bichos do Brasil.

Eu sempre tive esse papel de conceitualizar com ele, de como resolver, o que fazer, mas a mão, a assinatura plástica, principalmente, é toda do Beto Lima.

A minha parte era muito mais a resolução mecânica de alguns bonecos, então, foi tudo muito suave e tranquilo, tanto do roteiro, quanto das soluções cenográficas, coreográficas, musicais.

Eu lembro que o Tom Zé estava lançando um disco na época e ele sugeriu que as pessoas se apropriassem, chamava Jogos de Armar.

E eu escutei isso na rádio e achei incrível e muita coisa da trilha de Bichos do Brasil é do Tom Zé e outras são compostas lindamente pelo Marco Boaventura e Gustavo Bernardo.

Victor Hugo Cavalcante: Bichos do Brasil já foi apresentado em diversos países ao redor do mundo. Como tem sido a recepção do público internacional à representação da fauna e cultura brasileira? Houve alguma resposta ou reação que tenha se destacado?

Bichos do Brasil já viajou para muitos países diferentes entre si.

Já foi para China, Índia, Estados Unidos, Rússia, Itália, Argentina, Uruguai.

E é incrível porque acho que é uma das grandes imagens que o Brasil projeta.

O Brasil é um país muito simpático aos olhos do mundo.

E uma das grandes imagens que o Brasil tem é a Floresta Amazônica, talvez a maior imagem que o Brasil projete atualmente, fora o futebol que ainda é hegemônico, vem a questão dos bichos e da floresta, antes até do Carnaval e da capoeira.

Então, as reações são incríveis porque as esquetes são muito internacionais, fala-se muito de carinho, de cuidado com os filhos, a procriação, a surpresa do nascimento. As pessoas se identificam com isso no mundo inteiro.

As esquetes têm padrões de comportamento muito internacionais, por isso, elas se comunicam muito bem.

E a nossa fauna também é bastante internacional como projeção, como imagem.

Então, não temos nenhum problema de comunicação, as crianças, famílias do mundo inteiro compreendem muito bem esse espetáculo.

Victor Hugo Cavalcante: Bichos do Brasil busca resgatar e preservar a presença dos animais brasileiros no imaginário popular. Vocês acreditam que o espetáculo tem cumprido esse objetivo? Como ele tem contribuído para a conscientização e valorização da fauna brasileira?

Eu acredito que esse espetáculo cumpre o seu papel, sim.

Porque eu acho que na infância você tem que incutir um olhar carinhoso, amoroso, em relação ao meio-ambiente, seja a preservação da floresta em si, como dos animais.

Então, acho que Bichos do Brasil consegue esse lugar afetivo, a gente acredita que esse lugar afetivo leva a criança, quando for adulta, a ter uma relação mais positiva com o meio-ambiente e com a natureza em geral, sendo o que a gente precisa, respeitar todos os ambientes diversos.

Victor Hugo Cavalcante: Desde sua estreia em 2002, o espetáculo passou por alguma evolução ou adaptação significativa? Quais mudanças foram implementadas ao longo dos anos e por quê?

Um espetáculo de tantos anos passa por mudanças.

Não tem como, né?

Eu acho que cada elenco que surge, foram dezenas, talvez até mais que dezenas, talvez estejamos na casa de centenas de atores que praticaram e praticam o espetáculo Bichos do Brasil, cada elenco que surge dá sua contribuição.

No campo da dramaturgia não houve mudanças significativas, mas no campo da interpretação, sim.

Por isso, as coreografias vão mudando um pouco, vão se adequando aos corpos que vão se apropriando do que foi a nossa proposta e vão introduzindo coisas.

Então, é muito mais na maneira de como é feito do que o que é feito.

O jacaré meio atrapalhado que quer comer os bichos, mas não consegue.

A galinha de angola que é um grande inflável, apesar de não ser um bicho do Brasil, é um bicho africano, mas está tão incorporado ao nosso imaginário que temos essa liberdade, são infláveis.

Tem uma onça inflável. O final é um balé das onças.

Tudo isso são as mesmas esquetes, mas feitas de maneira diferente de cada grupo de intérprete que aparece.

Quais são os planos para apresentação de Bichos do Brasil além da que noticiamos recentemente? Há novas apresentações ou turnês programadas, ou até mesmo a criação de novos espetáculos com temáticas semelhantes?

O espetáculo Bichos do Brasil cumpre um papel muito interessante para o grupo Pia Fraus nesses anos todos, ele é nossa cara.

Ele é o espetáculo mais famoso e é um espetáculo que ainda é o que mais fazemos.

Ele sai agora dessa turnê com o Teatro Portátil e tem vários compromissos, vários SESC marcados, várias escolas.

Então, ele é um espetáculo que quando ele faz pouco, ele faz 40, 50 vezes por ano, então tem muita agenda para Bichos do Brasil.

Tem uma possibilidade de ir para a Tunísia, pode ir para a Coreia, tem muitas possibilidades sempre nos rondando e muita agenda sempre fechando.

Sei que Campinas vamos fazer agora.

Vamos fazer vários lugares marcados para o Bichos do Brasil.

Hoje em dia tem as redes sociais, e no nosso Instagram tem toda nossa agenda para quem quiser acompanhar.

E nós sempre temos planos de novas montagens.

A gente acabou de estrear um espetáculo muito bonito, chama-se Dinossauros do Brasil.

E que como a gente já fez Bichos do Brasil, a gente queria contar um pouco da pré-história e é uma coisa que é um pouco desconhecida.

No Brasil tiveram muitos dinossauros que viveram em terras que atualmente gente chama de Brasil.

Claro que antes não era Brasil, era Pangeia.

Era outra situação de espacialidade.

Mas, esse é o nosso último espetáculo, Dinossauros do Brasil, ficou muito bonito.

Estreamos o mês passado no SESC Pinheiros, em São Paulo e temos muita expectativa de muita agenda para esse também.

Ainda estou matutando: qual será o próximo?

É que nós temos um repertório muito ativo, temos sete espetáculos em nosso repertório.

Tem Bichos Vermelhos, Círculo das Baleias, Vaqueiro Bicho Frouxo, Gigantes de Ar, Bichos do Brasil, Gigantes Modernistas e o Dinossauros do Brasil.

Então, estamos sempre fazendo alguma coisa, muita coisa, por isso às vezes demora um ou dois anos para montar um novo.

Eu acho que em 2025 talvez a gente tenha um espetáculo novo.

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