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32 º Festival de Curitiba realiza Mostra Surda de Teatro

Pela primeira vez em sua história, evento fortalece inclusão ao apresentar seleção de peças que contam com artistas surdos como protagonistas.

Foto de apresentação do espetáculo Visualinguas.

Festival de Curitiba 2024 apresenta entre os dias 29 e 31 de março, no Teatro Universitário de Curitiba (TUC), a inédita Mostra Surda de Teatro, compartilhando com o grande público a cultura e a expressão artística em Libras — Língua Brasileira de Sinais.

As apresentações são totalmente gratuitas e os ingressos podem ser reservados pelo WhatsApp (41) 98903-6987 (Fluindo Libras).

A iniciativa segue a proposta curatorial do festival, que tem desafiado estereótipos e preconceitos e criado novas oportunidades de sensibilização do público para a importância da diversidade.

A inclusão de atores surdos no contexto teatral ouvinte proporciona uma visão mais inclusiva da diversidade humana, enriquecendo a experiência artística.

“A cada ano o Festival de Curitiba se preocupa com a acessibilidade. Acreditamos que esse é um dos papéis fundamentais de um festival. Quando a produção da Mostra Surda chegou com a ideia, nós a abraçamos na hora!”, afirma Fabiula Passini, diretora do Festival de Curitiba.

A Mostra Surda de Teatro tem curadoria e direção de Jonatas Medeiros e Rafaela Hoebel, artista surda.

Com espetáculos e cenas curtas de diferentes regiões do Brasil, a mostra destaca e valoriza a produção teatral da comunidade surda.

Para Medeiros, que é diretor teatral e tradutor de Libras, organizar uma mostra surda no maior festival de teatro da América Latina aponta para “o avanço das pautas políticas das comunidades surdas, em especial na luta pelo reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais, da arte e da cultura surda”.

“A mostra revela esse teatro surdo, que por muito tempo ficou circunscrito aos espaços da comunidade surda, sem possibilidade de diálogo com o teatro ouvinte e um público maior”, afirma.

A seleção considerou peças que têm artistas surdos em todo o processo da montagem, privilegiando as que têm surdos como protagonistas.

“Quisemos mostrar a diversidade da produção do teatro surdo brasileiro. Temos tragédia, drama, palhaçaria, mímica, teatro de bonecos e teatro experimental”, conta o curador.

Nesta variedade, há, inclusive, um gênero específico do teatro surdo:

“Há uma performance (Sede de Sangue) apenas com visualidades, sem cenário, com pouca iluminação. São os corpos dos artistas que constroem imagens de uma narrativa dramática”, acrescenta.

Rafaela Hoebel observa haver muitas barreiras para a produção do teatro surdo no Brasil, desde o acesso aos editais de cultura, que não oferecem acessibilidade, passando pela falta de intérpretes de Libras nas escolas de arte dramática, o DRT e as seleções de elenco, que raramente contemplam artistas surdos.

“Nesse sentido, a Mostra Surda é também uma esperança, um olhar sobre uma mudança que acreditamos e lutamos”, finaliza a curadora.

A Mostra Surda de Teatro é uma das ações promovidas pela Fluindo Libras, coletivo cultural voltado para arte surda e tradução em Libras, que contou com o apoio de emenda parlamentar do vereador Angelo Vanhoni.

O vereador foi relator do Plano Nacional de Educação em 2016, em que defendeu o reconhecimento e financiamento da educação bilíngue para surdos como modalidade de ensino.

Ele também apoia as ações da coordenadoria de arte surda no SATED/PR, articulando a garantia de cotas e direitos linguísticos para artistas surdos dos editais da Lei Paulo Gustavo.

“O Festival de Curitiba é vanguardista ao receber a primeira mostra de teatro surdo do Brasil. As peças reforçam a importância da arte como afirmação para a transformação da vida, a afirmação do eu e a urgência de se construir uma sociedade atenta para a vivência de todas as pessoas. Sou muito feliz por fazer parte disso”, afirma Angelo Vanhoni.

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