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Observatório Indígena de SP lança museu virtual

Plataforma trilíngue com tecnologia imersiva e metaverso reunirá arte, dados e saberes ancestrais para fortalecer povos indígenas em contextos urbanos.

Foto do povo Pankararu.

O dia 20 de janeiro marcou a Celebração Nacional da Consciência Indígena, enquanto outra data mais popular, 19 de abril, é conhecida como o Dia dos Povos Indígenas.

Mas, datas dedicadas aos povos indígenas no calendário são suficientes para preservar a memória e engajar toda uma sociedade a respeitar e reconhecer nossos povos originários?

Para Fernanda Manzoli, vice-presidente da Aliança Universidade e os Povos Indígenas — AUPI, a resposta é não.

Fernanda Manzoli, vice-presidente da AUPI e idealizadora do Observatório Indígena. Crédito: Divulgação.

E, por isso, e dentre tantos outros motivos, em janeiro de 2026 foi iniciado o Observatório Indígena de Artes e Saberes Ancestrais para integração, visibilidade e valorização dos povos indígenas de São Paulo, um museu virtual e centro de inteligência cultural em plataforma trilíngue (Língua Portuguesa, línguas indígenas e Língua Inglesa), que combina artes e saberes ancestrais, promovendo visibilidade, valorização e salvaguarda das culturas originárias.

A plataforma, que utiliza tecnologia de ponta e metaverso, está em fase de estudos e levantamento de dados com os primeiros recursos recebidos e aguarda os próximos investimentos para subsidiar o lançamento da plataforma e do museu virtual, em breve.

Todo o projeto está sendo realizado juntamente com o Conselho Indígena Vozes Originárias, reunindo diversas etnias do Brasil, formado para o programa Virada dos Povos — Cultura Indígena em Movimento, do qual o Observatório Indígena de Artes e Saberes Ancestrais faz parte.

O Observatório é, ainda, uma iniciativa de salvaguarda, inovação cultural e incidência em políticas públicas, criada para reconhecer, fortalecer e projetar as culturas indígenas do estado de São Paulo — com protagonismo indígena e compromisso com ética, transparência e acesso público.

Trata-se de um projeto que realiza diagnóstico socioambiental participativo de povos indígenas em contexto urbano e é estratégico porque reúne o que quase nunca está junto: salvaguarda cultural + tecnologia + governança + utilidade pública.

De onde são os dados quantitativos e qualitativos?

As informações que subsidiam o Observatório Indígena são levantadas por equipe especializada e antropólogos diretamente nas comunidades indígenas.

O banco de dados é nacional e contempla artistas e saberes indígenas, com acervo audiovisual, exposições e entrevistas, promovendo conexões entre aldeias, universidades e o público urbano.

Manter as culturas vivas e os saberes ancestrais faz parte dos objetivos do Observatório Indígena de Artes e Saberes Ancestrais.

Fernanda Manzoli, da AUPI e que também é captadora de recursos, gestora e psicóloga, fala a respeito:

“É urgente tornar visível o que, há séculos, vem sendo invisibilizado: as realidades indígenas em contexto urbano! O Observatório Indígena atua por meio de uma metodologia participativa e com levantamento de dados a partir do protagonismo e diálogo dos territórios indígenas que participam, ativamente, de todas as etapas do projeto, para mantermos o passado no presente para um futuro com memória”, explica Manzoli.

E o que vem depois?

Todo o conteúdo levantado junto aos povos indígenas será transformado no material que alimentará a plataforma do Observatório que será de livre acesso e gratuita a toda a população em breve.

Ações de divulgação serão feitas, além de eventos previstos abertos ao público e gratuitos com apresentações culturais, culinária, artesanato, música, dança e muito mais, tudo indígena.

O projeto conta com a parceria da Prefeitura de São Paulo e da Secretaria de Direitos Humanos e está sendo realizado com recursos advindos de emendas parlamentares e captação após aprovação na Lei Rouanet, além de investimentos privados.

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