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Livro de poemas investiga tempo e permanência

Em “Sob a Luz de um Novo Antes”, versos densos atravessam silêncio, tempo e reinvenção, convidando o leitor à pausa e à escuta sensível.

Capa do livro.

Em um tempo marcado pela aceleração e pelo excesso de ruído, a poesia é um contraponto de pausa e escuta.

É nesse território que se insere “Sob a Luz de um Novo Antes”, novo livro da poeta Cristina Sobral.

A obra investiga os limites entre o visível e invisível, o transitório e o permanente, onde o eu-lírico feminino leva o seu olhar atento às inquietações do mundo contemporâneo, sondando os seus desejos, reveses, desatinos e paixões.

A escrita se organiza como um gesto de observação profunda, onde a luz, ora tênue, ora reveladora, surge como metáfora recorrente, iluminando frestas da memória, da interioridade e das relações com o mundo.

O tempo não aparece como linha reta, mas como matéria sensível, feita de retornos, suspensões e instantes que se abrem para o antes e para o agora.

As inspirações percorrem temas como silêncio, perda, assombro, permanência e reinvenção, a absurdidade da guerra, a força do feminino, criando uma atmosfera onde o eu poético se desloca entre a introspecção e o contato com a vida ordinária.

Não se trata de respostas prontas, mas de perguntas enfáticas, como se cada texto fosse uma tentativa de nomear o indizível.

A escrita de Cristina aposta na economia de palavras e na densidade imagética. Seus versos não buscam o impacto imediato, mas o aprofundamento: são construídos como pequenos movimentos de aproximação, convidando o leitor a desacelerar e permanecer.

A poesia, nesse sentido, se apresenta como experiência, convidando o leitor a atravessar zonas delicadas da experiência humana.

“O poema é um rasgo no mistério; um rasgo feito pela angústia que paira sobre o mundo, pelo nó na garganta, pela perdição, pela escassez ontológica, para dar voz ao desconhecido, para atravessarmos o caos e tocarmos o belo, o simples, a leveza, a essência das coisas, o amor, o êxtase e seguirmos compreendendo a experiência da vida”, descreve a escritora.

Segundo ela, a obra nasce de um processo de desaprendizagem e despojamento, passando por camadas e camadas de silêncio, quando o olhar adquire um certo grau de nudez e o poema acontece.

Depois, o desejo de partilha, a grande festa do encontro. 

Em “Sob a Luz de um Novo Antes”, o leitor é convidado a viajar com a poeta pelos lugares mais fundos da existência.

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