Inverno no Nordeste nunca foi sobre casacos pesados ou sobreposições dramáticas.
É sobre intenção e sobre como traduzir códigos clássicos da estação com textura, profundidade, sobriedade, para um território onde o clima pede leveza e o estilo conversa com movimento.
Além de buscar referências europeias, as marcas locais vêm aprendendo a reinterpretá-las.
E é nesse ponto que as coleções Archive, da Deep, e NOIR, da LOE, ajudam a entender o momento.
Se o inverno global aponta para memória, permanência e força simbólica, no Nordeste esses conceitos ganham outra cadência.
Archive parte do universo dos arquivos e das bibliotecas para falar sobre aquilo que permanece.
A escolha estética não é literal; é sensorial.
Tons como off-white, preto, cinza e terrosos criam um fundo silencioso, enquanto vinho e verde petróleo adicionam densidade sem pesar.
É um inverno que respira.
Os tecidos reforçam essa leitura.
Renda, tricô e veludo aparecem equilibrados por transparências e construções mais fluidas.
O veludo é estratégico e a renda traz a textura.
O tricô não aquece pelo volume, mas pela presença.
A alfaiataria surge em blazers e casaquetos que estruturam o look sem endurecê-lo.
Além de proteger do frio, compõe looks com inteligência.
Há também símbolos que atravessam a coleção, como o relógio aplicado em cintos, um detalhe que fala sobre tempo, permanência e escolhas duráveis.
Em um cenário saturado por microtendências, a ideia de vestir algo que não se esgota na próxima estação ganha força.
O inverno, aqui, é uma decisão estética.
Na LOE, NOIR percorre outro caminho complementar. Inspirada no cinema clássico e no glamour do old Hollywood, a coleção investe em uma elegância contida.
A alfaiataria, em coletes, calças e outros modelos, aparece com cortes precisos e proporções pensadas para o cotidiano.
O xadrez e o animal print reforçam o repertório tradicional do inverno, mas surgem em composições que permitem respiro.
O laço desponta como gesto visual importante da temporada.
Não como ornamento excessivo, mas como ponto de tensão delicado entre força e feminilidade.
Ele marca a silhueta, finaliza produções e adiciona narrativa. Assim como o veludo e a renda, o laço não é nostalgia.
“O inverno no Nordeste precisa dialogar com nossa cultura, nosso clima e nosso ritmo. A sofisticação não está no excesso de camadas, mas na construção. No fim, o que essas coleções mostram é que o inverno, por aqui, é presença de intenção. É traduzir códigos clássicos em peças que conversam entre si, que permitem múltiplas composições, que funcionam no ar-condicionado do escritório e no fim de tarde à beira-mar. E que elegância, quando bem interpretada, não depende da temperatura”, destaca Ana Paula Aguiar, diretora criativa do Grupo Deep.
Confira as principais fotos das coleções.
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