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Evento explora mundo dos super-heróis brasileiros

O co-curador da exposição Do Gibi aos Quadrinhos – Os Super-Heróis Brasileiros, Raphael Gomide, revela mais um pouco sobre a exposição que permanece até 24 de fevereiro no Centro Cultural Correios RJ.

Foto do entrevistado Raphael Gomide, co-curador da exposição Do Gibi aos Quadrinhos - Os Super-Heróis Brasileiros.

Em uma jornada que mergulha nas raízes da cultura brasileira, a exposição Do Gibi aos Quadrinhos – Os Super-Heróis Brasileiros, montada no Centro Cultural Correios RJ, emerge como um marco singular na cena cultural contemporânea.

A exposição foi montada a fim de mostrar que os quadrinhos estão em todas as regiões, com personagens que representam as características históricas e socioculturais brasileiras.

E se antes conversamos com a curadora e jornalista Paula Ramagem, agora em uma conversa exclusiva com Raphael Gomide, co-curador desta iniciativa inovadora, exploramos os bastidores e os objetivos que impulsionaram esse projeto pioneiro.

Raphael Gomide também é fundador, CEO e diretor-geral do ArteCult e sócio-fundador e diretor-geral do QuadriMundi.

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro, é um prazer recebê-lo e gostaria de começar perguntando: Como surgiu a ideia de realizar a exposição Do Gibi aos Quadrinhos – Os Super-Heróis Brasileiros e qual foi o principal objetivo por trás dessa iniciativa?

Raphael Gomide: A oportunidade chegou até mim mediante um convite da outra curadora, Paula Ramagem, que recebeu o desafio de montar uma exposição de Quadrinhos no Centro Cultural Correios RJ.

Quando ela me convidou, disse que não só conseguiríamos, como iríamos preparar uma exposição de Quadrinhos de Super-heróis brasileiros!

O nosso principal objetivo era mostrar a quantidade, qualidade e diversidade dos nossos super-heróis.

E também, após algumas reuniões com a Editora Kimera, fundamental nesse projeto, decidimos que essa mostra teria que ser representativa ao máximo: personagens de autores todas as regiões do país, super-heroínas e super-heróis negros, mulheres empoderadas, PcD, LGBTQIA+, etc.

Para atingirmos esses objetivos, eu e a Paula montamos uma equipe de consultores, que são quadrinistas e especialistas no gênero de super-heróis brasileiros: Adalberto Bernardino, Erick Lustosa e Lorde Lobo.

Victor Hugo Cavalcante: Como foi o processo de seleção dos quadrinistas e personagens apresentados na exposição? Houve algum critério específico para a escolha?

Como inicialmente tínhamos que escolher apenas 20 super-heróis, procuramos selecionar personagem bem representativos e os critérios foram as premissas alinhadas entre a curadoria e a Editora Kimera.

Mas a missão parecia quase impossível, muitos importantes ficariam de fora.

Conseguimos então colocar mais cinco na galeria, passando para 25 expostos nas paredes e tivemos uma ideia de produzir um vídeo, através do qual exibiríamos em uma TV, na entrada da exposição, mais 31 personagens!

Além disso, recebemos um apoio muito importante do canal MeuHeroi: um enorme painel com 83 personagens, montado pelo quadrinista Ellyan Lopes, e apresentado no Dia do Super-Herói Brasileiro de 2023, evento realizado em Niterói, em parceria com a Editora Kimera e a NitGeek.

Assim, nossa exposição, além de atingir os principais objetivos, apresenta, aproximadamente, 130 personagens, mostrando o talento de todo um ecossistema talentoso envolvido na produção deles: são roteiristas, ilustradores, coloristas, balonistas, revisores, etc. de todo o Brasil.

Victor Hugo Cavalcante: Qual você considera ser o maior destaque da exposição em termos de representatividade da cultura brasileira nos quadrinhos?

Existem dois personagens que estão chamando muita atenção.

Notamos isso através das perguntas durante as visitas guiadas, dos comentários que temos recebido nas redes e no livro de visitas e pelas fotos dos visitantes compartilhadas nas redes.

São eles: Alkymia, uma super-heroína negra belíssima, de Ellyan Lopes, e um dos super-heróis indígenas que temos na exposição, o Xamã, de Eberton Ferreira, pois este também apresenta em sua arte, criada por May Santos, mitos folclóricos como, por exemplo, o Boitatá, a Iara, a Mãe D’água, o Mapinguari (mito muito conhecido no Acre), o Curupira e o Corpo Seco.

Além desses, o próprio Capitão Sete, que fica na entrada da exposição e é o primeiro super-herói brasileiro que segue a linha conceitual e estética da grande maioria dos super-heróis da atualidade.

Victor Hugo Cavalcante: Como você enxerga o papel dos quadrinhos brasileiros na atualidade, especialmente em termos de diversidade e inclusão?

Na exposição temos vários exemplos de personagens que refletem a diversidade da nossa nação e promovem a inclusão.

Temos, só para dar alguns exemplos, o Mano K que passa em nosso vídeo, um garoto pobre e negro da periferia de São Paulo que se transforma num super-herói.

A própria editora Kriô Comics doa 10% do valor de capa de cada uma de suas revistas, para um projeto social ou artístico, um artista independente, um coletivo cultural, etc.

A nona arte brasileira não é só excepcional devido ao número de artistas talentosos que temos na atualidade, mas também vem se demonstrando uma ferramenta excepcional de inclusão.

Victor Hugo Cavalcante: Quais são as expectativas em relação ao impacto que essa exposição pode ter na valorização e reconhecimento dos quadrinhos nacionais?

Temos já consciência de que é um trabalho de formiguinha.

A exposição Do Gibi aos Quadrinhos – Os Super-Heróis Brasileiros é uma das iniciativas que estão acontecendo no Brasil e que pretendem colocar holofotes na nossa produção nacional do gênero de super-heróis.

O objetivo comum é o mesmo: mostrar o Brasil para o Brasil.

Precisamos dar visibilidade a esses personagens, para mostrar o talento de nossos quadrinistas.

Assim, o povo brasileiro entenderá que tem em mãos uma indústria de entretenimento de imenso potencial pronta para crescer.

Pois ela, assim como nossa exposição evidencia, já nasceu.

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