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Carnaval e saúde mental: celebração ou fuga emocional?

Psicólogo analisa como a maior festa popular do país pode funcionar como expressão saudável de emoções ou como mecanismo de escape psicológico.

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Crédito da foto principal: Imagem ilustrativa feita por IA do Canva.

Para alguns, o Carnaval é sinônimo de alegria, liberdade e conexão.

Para outros, o período traz incômodo, excesso e até sofrimento emocional.

Essa ambivalência mostra que a festa vai além da folia: trata-se de um fenômeno psicológico coletivo que escancara diferentes formas de lidar com as próprias emoções.

Segundo o psicólogo clínico Luti Christóforo, o Carnaval pode funcionar como uma válvula de escape emocional.

“Há uma flexibilização das regras sociais e da rotina, o que pode gerar alívio, descanso mental e sensação de pertencimento para muitas pessoas”, explica.

Nesses casos, a música, a dança e as fantasias se tornam meios legítimos de expressão do eu, permitindo que emoções reprimidas encontrem espaço de forma saudável.

No entanto, o especialista alerta que nem sempre a vivência é positiva.

O consumo abusivo de álcool e drogas, comum nesse período, pode indicar uma tentativa de anestesiar dores internas, como tristeza, solidão ou vazio emocional.

“Esses excessos reduzem o senso crítico, aumentam a impulsividade e favorecem comportamentos de risco, que resultam muitas vezes em culpa, vergonha e sofrimento psíquico após a festa”, afirma Christóforo.

Outro ponto de atenção são as relações afetivas e sexuais impulsivas.

Quando ocorrem sem cuidado, consentimento claro ou proteção, podem gerar consequências emocionais importantes, como ansiedade, confusão afetiva e sensação de desvalorização.

Em situações mais graves, há risco de vivências traumáticas, especialmente quando limites não são respeitados.

Com o fim do Carnaval, é comum surgir a chamada “ressaca emocional”, marcada por tristeza, irritabilidade ou vazio.

Para o psicólogo, esse contraste revela que, em alguns casos, a festa funcionou mais como fuga do que como celebração.

Ainda assim, ele reforça que não existe uma forma certa ou errada de viver o período.

“O que diferencia uma experiência saudável de uma prejudicial é a motivação interna e a presença de limites”, destaca.

Luti Christóforo lembra também que há quem sofra justamente por não se identificar com o Carnaval.

Em uma cultura que valoriza a alegria obrigatória, não gostar da festa pode gerar sensação de inadequação e isolamento, o que também merece acolhimento e reflexão.

Mais do que julgar a festa, o especialista propõe um olhar para dentro.

“A pergunta não é se o Carnaval é bom ou ruim, mas o que ele representa emocionalmente para cada pessoa. Essa reflexão pode ser uma oportunidade valiosa de autoconhecimento”, conclui.

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