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Artigo: A circularidade do café começa na embalagem*

Especialista aborda como a primeira embalagem monomaterial para café mostra que inovação sustentável depende de colaboração, circularidade e mudança cultural.

Foto do autor do artigo.

*O título deste artigo foi adaptado para fins de SEO.

Quando a embalagem do café entra na circularidade

Escrito por Vinicius Saraceni, empreendedor social, fundador da Atina Educação e idealizador do Movimento Circular. Crédito da foto principal: Divulgação.

Inovar, hoje, vai além de lançar algo novo, mas, sim, repensar estruturas inteiras.

No caso dos produtos de consumo, esse movimento significa reavaliar todo o seu ciclo de vida para responder a desafios urgentes.

Um exemplo vem da indústria do café.

Segundo dados fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), estima-se que sejam produzidas cerca de 3,3 bilhões de embalagens anualmente.

A maioria desses pacotes é composta por materiais multicamadas, como plástico, papel e alumínio, projetados para conservar o produto.

O problema é que, após o consumo, quase a totalidade dessas embalagens é descartada sem possibilidade de reaproveitamento.

Essa realidade ocorre no setor que, ainda segundo a Abic, movimentou em 2024 cerca de R$ 36,8 bilhões e consumiu 21,9 milhões de sacas de café industrializado.

Do volume total produzido, cerca de 80% é consumido internamente, em forma de café torrado e moído, o que representa mais de 1 bilhão de quilos anuais.

Em um mercado dessa escala, cada decisão conta, e a escolha da embalagem é uma delas.

Nesse cenário, o país passou a contar com sua primeira embalagem monomaterial desenvolvida para reciclagem, a O1NE.

Diferentemente dos modelos convencionais, que misturam papel, alumínio e plásticos, dificultando a triagem e reaproveitamento, essa versão é composta por até 95% de polietileno de alta densidade.

Isso torna o processo de reciclagem mais simples, eficiente e acessível.

A iniciativa nasceu da articulação promovida pelo Movimento Circular, que reuniu os conhecimentos técnicos da Dow e da Valgroup à marca Catarina Café e Amor.

Trata-se de um caso exemplar de como soluções sustentáveis podem emergir da colaboração entre diferentes setores da sociedade, quando há disposição para romper com padrões consolidados.

Mostra, ainda, como a ciência de materiais pode ser aliada a modelos econômicos mais regenerativos, especialmente quando articulada com visão estratégica e compromisso ambiental.

Nesse contexto, o papel do Movimento Circular evidencia a importância de agentes que atuam como mediadores entre conhecimento técnico, educação e transformação de mercado.

Para isso, consolida-se como uma visão colaborativa voltada à promoção da economia circular na América Latina, com base na informação e no estímulo à mudança cultural.

Mais do que uma solução pontual, essa iniciativa representa, ainda, uma provocação às cadeias produtivas que seguem operando com embalagens complexas, de difícil reaproveitamento.

Torrefações, varejistas e consumidores têm, agora, a oportunidade de repensar suas escolhas e adotar práticas que favoreçam a regeneração de recursos.

A circularidade começa no design do produto, mas se concretiza na prática cotidiana.

E, para os avanços deixarem de ser exceções, será preciso mais do que boas ideias, mas compromisso.

O convite está feito, e não é somente para o setor do café.

Mais do autor:

Empreendedor social, fundador da Atina Educação e idealizador do Movimento Circular, Vinicius Saraceni é agregador e formulador de iniciativas e projetos educacionais em sustentabilidade e economia circular.

Ele já impactou positivamente mais de 5 milhões de pessoas com apoio de dezenas de parceiros públicos e privados, por meio de iniciativas educacionais e de fomento à cultura, em diferentes frentes de atuação.

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