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Duo Violeta emerge no som nordestino

A faixa instrumental “Emergiu”, inspirada em ritmos nordestinos, antecipa o 1º álbum e propõe uma viagem sensorial entre tradição, lirismo e experimentação.

Mockup com capa do single.

O Duo Violeta, formado por André Sant’Anna e Rafael Campanaro, estreia a faixa instrumental Emergiu nas plataformas digitais a partir de 27 de março.

O lançamento se deixa embalar por uma base rítmica orientada, a princípio, pelo baião.

Ao combinar tradição e universalidade, o projeto lança uma ode à cultura regional do Nordeste brasileiro, utilizando elementos e harmonias da música popular nacional a fim de reelaborá-los em uma linguagem instrumental que almeja transcender os rótulos.

A proposta de Emergiu, que em seu caráter autoral abre alas para o primeiro disco do duo, a ser lançado em 2026 pela Notable Records, selo da gravadora canadense The Citadel House, é levar o ouvinte a experimentar diferentes estados de espírito.

A começar por seu título, cuja palavra escolhida é fruto de um cruzamento vocabular dos nomes de Hermeto Pascoal (1936–2025) e Gilberto Gil, grandes referências de musicalidade.

Em um primeiro momento, a música assume caráter fluido, festivo e, naturalmente, dançante.

No segundo, transforma-se em um lamento, conduzido por melodias mais densas e vagarosas.

A atmosfera entusiasmada retorna somente nos últimos instantes, a fim de completar o ciclo musical, um percurso que, conforme os criadores, encontra eco nas experiências cotidianas de uma vila caiçara.

“Na noite que antecede a partida para o alto-mar, há festa e celebração”, explicam Sant’Anna e Campanaro.

“Depois, vem a despedida silenciosa e dolorosa. Por fim, o retorno traz consigo as bonanças do trabalho e reinstaura a alegria coletiva.”

É nessa jornada onde a escaleta, instrumento musical de sopro com teclado e sonoridade próxima à do acordeón, cria espaço.

“Trabalhamos em um formato camerístico intimista, apenas o violão e a escaleta, aliando pesquisa sonora ao cuidado com a expressividade, o espaço e o diálogo entre os instrumentos”, contam.

Ainda pouco recorrente no cenário instrumental, a escaleta é explorada pelo duo em profundidade a partir de suas possibilidades artísticas, contribuindo para sua busca por uma identidade sonora singular.

Trajetória

André Sant’Anna e Rafael Campanaro se conheceram no ano de 2010, mas a formalização do Duo Violeta ocorreu apenas nove anos mais tarde.

Em 2019, a dupla realizou uma viagem à Ilha Comprida, município do interior do Estado de São Paulo, em uma espécie de retiro criativo.

Lá, foram compostas músicas que encapsulam o ambiente e a atmosfera local daquele então.

Desses dias nebulosos, nasceram três obras: Inverno no Mar, Para a Ilha e O Boto, onde as duas primeiras já foram lançadas no YouTube em versão demo.

Guiados pelo desejo de encontrar ouvintes atraídos por sua escuta sensível e em busca de experiências intimistas, o Duo Violeta surge do desejo de investigar novas possibilidades para a música instrumental brasileira.

Desde o início, além de promover encontros entre o violão e a escaleta, a proposta buscou se esquivar da pura interpretação, pavimentando o caminho para instituir uma linguagem própria, capaz de alinhar pesquisa, composição autoral e diálogos musicais.

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