Crédito da foto principal: Carla Guzman.
O espetáculo Afroargentinas é uma proposta cênica de teatro documental baseada na biografia de duas pessoas afro-argentinas de origens distintas, descendentes de pessoas escravizadas neste território e de migrantes cabo-verdianos do século XX.
A partir do relato em primeira pessoa sobre suas próprias experiências de vida, elas contam como é ser afro-argentina em um país que decidiu apagá-las de sua história.
Mas, por meio do autorreconhecimento como afro-argentinas e do desejo de que seus direitos sejam reconhecidos, decidem compartilhar suas histórias, as marcas que essas vivências deixaram em seus corpos e as que herdaram de suas ancestrais, para que ninguém mais diga que na Argentina não existem pessoas negras.
A obra busca construir uma narrativa que coloque em cena corpos vivos e presentes, que hoje constituem a afroargentinidade, afirmando em voz alta que não são uma anedota do passado.
Sem cair em um tom solene, propõe dispositivos cênicos diversos e dinâmicos, que geram múltiplos lugares de enunciação.
Em curta temporada no Sesc Belenzinho nos dias 27, 28 de fevereiro e 1º de março, com apresentações na sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 17h.
Os ingressos variam de R$ 15 a R$ 50.
Diante do cenário de uma Argentina historicamente construída como branca e europeia, e da presença historicamente afroargentina, surgiu a ideia de dar visibilidade às histórias negras argentinas por meio do teatro documental.
Essa ideia se concretizou quando foram convidadas Florencia Gomes, afroargentina descendente de migrantes de Cabo Verde, e Jesica Lamadrid, afroargentina descendente de pessoas escravizadas em território argentino, e para garantir uma perspectiva afrocentrada e representatividade, foi convidada Lina Lasso, artista afrodescendente, como diretora da obra.
O processo da criação da peça, que durou três anos e teve início em 2020, incluiu uma pesquisa exaustiva de dois anos sobre histórias ocultas e arquivos familiares.
Por meio de material de arquivo, como fotos, vídeos, documentos pessoais e músicas gravadas em eventos de comunidade afro-argentinas, é utilizado ao longo da obra para transmitir a riqueza dessa parte invisível da identidade argentina.
O candombe de Buenos Aires, em música e dança, aparece como parte constitutiva da identidade afroargentina e como uma forma de resistência.
Ambos os protagonistas participam das narrativas um do outro para encenar momentos de suas próprias histórias pessoais.
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