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Livro propõe a criação artística como travessia interior

Daniel Mira, em “O Vento Veio e Falou Comigo”, reflete sobre o ato de criar como experiência de presença, tempo e reconexão com o essencial.

Mockup com capa do livro.

“O vento veio e falou comigo” nasce do encontro entre arte, natureza e uma inquietação profunda sobre o que significa criar, ou, como propõe Daniel Mira, artista, pensador e coletor de imagens e sementes, “crear”: trazer essência à existência.

A partir de uma trajetória marcada pela pesquisa, experimentação estética e escuta sensível do mundo, o escritor empreende uma jornada às margens da Floresta Amazônica, retratada na publicação da Hanoi Editora.

Guiado por ventos que falam, rios murmurantes e histórias que pedem atenção, o escritor percorre um caminho de investigação e travessia interior.

Mira parte de vivências concretas junto à natureza, aos anciãos e à vida pulsante em Alter do Chão, distrito de Santarém (PA), situado no coração da Amazônia brasileira, para repensar os caminhos da imaginação e da memória. 

Sua formação, atravessada pela criação artística, se reflete em um livro que dialoga com a fenomenologia e a etnografia.

O intuito é mostrar como o processo criativo verdadeiro floresce no encontro com o outro e na disposição de abandonar formas rígidas para acolher o imprevisível.

Mira lança mão da filosofia e da ciência para falar de arte como experiência.

Criar, para o autor, não é produzir mais, é aprofundar.

“A cultura do vazio bem embalado segundo padrões atraentes ao consumo não passa de uma cidade cinematográfica, na qual as casas só possuem fachadas, e os seres humanos que as habitam, também. O que o meu talentoso amigo Daniel Mira desfia neste trabalho é uma rota de reconstrução, de retomada de memória.”

(Prefácio de Lúcia Helena Galvão em “O vento veio e falou comigo”, p. 15)

Ao longo da obra, o leitor é conduzido por reflexões sobre a crise contemporânea do imaginário, marcada pela pressa, consumo e superficialidade das experiências.

Daniel Mira contrapõe a lógica da produtividade vazia a uma ética do mergulho: aquela baseada em tempo, presença e escuta.

Com escrita delicada reforçada por fotografias e pinturas do autor, transitando entre ensaio, relato e poesia, “O vento veio e falou comigo” propõe uma reconciliação entre criação, natureza e interioridade.

Não se trata apenas de ler uma história, mas de atravessar uma experiência: permitir ao mundo voltar a falar e aprender a escutá-lo com atenção.

Sobre o autor

Crédito da foto: Divulgação/Hanoi Editora.

Daniel Mira é um pensador da arte, atuando como artista, pesquisador e empreendedor criativo.

Graduou-se em artes pela Universidade de Brasília, especializando-se em Poéticas Visuais, como mestre em Design.

É doutorando em artes pela Universidade de Brasília e atua no contexto das pesquisas poéticas centradas na natureza, tendo como abordagem a interseção entre o sensível e o lógico para formação do pensamento humano e suas expressões.

À frente da NOUS Ecossistema, é fundador do NOUS Instituto, constituído desde 2007, da NOUS escola e de sua consultoria de inovação e comunicação consciente.

Leciona como professor universitário há mais de quinze anos e partilha sua criatividade nas áreas de artes visuais, fotografia, curadoria de arte e design visual há duas décadas, trabalhando junto ao governo brasileiro, museus e várias instituições culturais.

Em sua carreira artística, exibiu obras no Brasil, Nova York, Barcelona, Berlim e Eslovênia e foi vencedor do prêmio Clap Editorial Barcelona, em 2013.

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