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Livro critica ineficiência estatal em contos de fadas

Em ‘Nos bastidores do Observatório Encantado’, clássicos dos contos de fadas são revisitados como dossiês sobre falhas do Estado e impacto social.

Mockup com capa do livro.

Por trás de histórias conhecidas por finais felizes, há personagens que desapareceram da narrativa oficial.

Crianças abandonadas, comunidades desassistidas e danos que nunca foram reparados.

“Nos bastidores do Observatório Encantado — O que fica depois que a história termina” parte justamente desses silêncios para investigar o impacto social de um Estado que falha repetidamente.

A obra reúne relatos em forma de dossiê jornalístico que reconstroem episódios clássicos dos contos de fadas sob uma nova perspectiva: a das consequências.

Ao deslocar o foco do herói para os afetados, o livro transforma fantasia em análise social e questiona o custo humano das decisões, ou omissões, institucionais.

O impacto invisível das decisões que não aparecem na história

Em muitos dos relatos, o problema central não é a tragédia em si, mas o que acontece nela.

Crianças resgatadas sem políticas de acolhimento, populações deixadas à própria sorte e ciclos de violência que se repetem por ausência de intervenção estatal.

O livro sugere que o sofrimento não nasce do acaso ou da maldição, mas da normalização do abandono.

Ao tratar esses episódios como “casos encerrados”, o Reino Encantado transforma vítimas em nota de rodapé e impede qualquer reparação social efetiva.

Vulnerabilidade como regra, não exceção

Ao longo dos dossiês, o que se revela é um padrão: os mesmos grupos são sempre os mais afetados.

Crianças, famílias pobres e comunidades periféricas surgem como personagens recorrentes de um sistema que age apenas quando o dano já está feito, e, ainda assim, de maneira insuficiente.

Esse padrão aproxima a obra de debates contemporâneos sobre impacto social, desigualdade estrutural e responsabilidade do Estado.

A ambientação fantástica funciona como espelho de realidades reconhecíveis, onde a ausência de políticas públicas transforma crises pontuais em problemas crônicos.

A literatura como ferramenta de visibilidade social

Ao adotar a linguagem do jornalismo denunciativo, Nos bastidores do Observatório Encantado assume um compromisso simbólico: registrar o que não foi contado.

O Observatório que dá nome ao livro atua como instância de memória e visibilidade, reunindo histórias que, na versão oficial, foram apagadas pelo “felizes para sempre”.

Nesse sentido, a literatura deixa de ser entretenimento e se aproxima da denúncia social.

Não para oferecer soluções, mas para recolocar as vítimas no centro da narrativa.

O que fica depois da história

Ao perguntar o que acontece após o fim, o livro desloca o leitor de uma posição confortável.

Ele sugere que finais felizes podem funcionar como cortina narrativa, encobrindo responsabilidades e efeitos de longo prazo.

Mais do que recontar contos de fadas, Nos bastidores do Observatório Encantado convida a refletir sobre como sociedades lidam com suas feridas e sobre quem fica de fora quando a história decide seguir em frente.

Sobre o autor

Foto do autor do artigo.
Crédito da foto: Arquivo pessoal.

Victor Hugo Cavalcante é formado em Jornalismo pela UNIFEV — Centro Universitário de Votuporanga.

Como escritor, desenvolve obras marcadas pela atenção à experiência humana, à introspecção e ao simbolismo, transitando entre poesia, ficção, humor, drama psicológico e jornalismo social.

A literatura de Victor Hugo Cavalcante combina densidade psicológica, simbolismo e estética poética, convidando o leitor a refletir sobre identidade, relações humanas e autoconhecimento.

Cada obra revela diferentes formas de enfrentamento de traumas e pressões sociais, sempre mantendo o olhar atento às nuances da experiência humana.

Continue navegando pelo Jornal Folk e descubra conteúdos que inspiram, informam e conectam diferentes realidades.

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