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Thiago Modesto apresenta exposição no CCCRJ

Casa-Tempo: Assentamentos, com curadoria de Messias Silva de Oliveira, apresenta xilogravuras e trabalhos em tecido e explora crenças e memórias do artista.

Imagem-montagem com banner de divulgação do evento.

A partir do dia 17, o artista visual Thiago Modesto apresenta a exposição Casa-Tempo: Assentamentos, com curadoria de Messias Silva de Oliveira, no Centro Cultural Correios RJ.

A exposição fica aberta de 17 de julho a 31 de agosto de 2024 e poderá ser visitada de terça a sábado, das 12h às 19h.

Casa-Tempo: Assentamentos apresentará a mais recente produção do artista visual em xilogravuras e trabalhos produzidos em tecido, visando dividir suas vivências, crenças e memórias que partem principalmente de suas raízes familiares.

“Venho de uma família migrante de Santo Antônio de Pádua–RJ, cidade de passado rural, localizada às margens do Vale do Paraíba. Esse é o primeiro sertão que atravessa a minha história. Desse primeiro sertão, preservo a memória da minha avó Maria de Lourdes, com quem convivi na infância. Preservo as histórias de uma família migrante, completa em vitórias e tragédias, de oito irmãs mulheres que me criaram. O segundo sertão que me atravessa é o de Jacarepaguá, zona oeste do estado do Rio de Janeiro, segunda morada da minha família, que, em busca de melhores oportunidades, se estabeleceu e criou as raízes que me fizeram brotar e viver nessa terra de dualidades. Vivi 31 anos da minha vida em Jacarepaguá, da qual preservo o sentimento de pertencimento e ausência. Lá, convivi poucos anos com meu avô, figura enigmática, tocador de pandeiro, devoto das folias de reis, descendente de uma mulher de etnia Puris, que sofre o apagamento de sua história e da qual preservo a ancestralidade. Nesse quase não-território, que não se enquadra nos tradicionais modos de vida estereotipados do ser carioca, que se apresenta como um quase subúrbio, misturado com mansões de coronéis aposentados, que é território dos excluídos (para lá mandavam os leprosos, os malucos e os velhos) e onde a milícia fez escola, surge o termo Sertão Carioca que, atualmente, remete a um limite espacial simbólico que abrange as dimensões natural, social e cultural da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ainda hoje, neste território, permanecem valores éticos, espirituais, simbólicos e afetivos vinculados à lida com a terra. Eu acredito que o território em que vivemos contribui também com a nossa formação. E são esses os sertões-verdes que habitam minha pesquisa artística e minha formação”, explica o artista.

Segundo o texto curatorial apresentado por Messias Silva de Oliveira, os pés que atravessaram a soleira deste espaço expositivo a fim de transitar pela Casa-Tempo: Assentamentos, serão movidos a seguir em direção ao anfitrião presente no interior da moradia.

“Os espectadores, conduzidos por essa figura que desterra lembranças guardadas no fundo dos cômodos da casa, são levados a perceber que o ambiente desta exposição individual do artista é uma convocação à intimidade”, explica o curador.

Os que já foram fisgados pela poética de Thiago Modesto veem, na passagem por esse assentamento memorial que reúne as lembranças de dois sertões fluminenses emaranhados pelo verde-atlântico, uma narrativa traduzida através da série de trabalhos que é o novo capítulo desta Casa-Tempo.

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