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Entrevista: Jornada de autoconhecimento com Lalin Witch

Artista plástica revela beleza nas imperfeições e jornada de autoconhecimento através da arte, além da participação na exposição virtual Plurais e muito mais.

Foto da artista plástica entrevistada Witch.

Artista da geração Z, nascida em Niterói e estudante da UFF para graduação em biomedicina, Lalin Witch vêm se estabelecendo na área artística desde 2011 e já participou de exposições como Unidiverso na Usina Cultural; Sobre o que ninguém quer falar, na Aliança Francesa de Nova Friburgo; O que os olhos não veem, no espaço Eco Gaia em Niterói; entre outras.

A artista produz desde estampas personalizadas em produtos têxteis, a quadros em tela/vidro, desenhos em parede/folha, design de tatuagens, tendo um estilo próprio que mistura influências de realismo, HQ e surrealismo.

Agora, Lalin Witch participa da exposição virtual coletiva Plurais, na Contemporâneos, com a obra Struggle, em homenagem ao mês das mulheres.

E, é sobre esta obra, suas influências e sua vida artística que ela conversa conosco nesta entrevista:

Victor Hugo Cavalcante: Primeiro é um prazer recebê-la no Jornal Folk, e gostaria de começar com a seguinte pergunta: Como você vê o papel da arte tradicional e da moda na expressão pessoal e no autoconhecimento, especialmente dentro do contexto da exposição Plurais?

Lalin Witch: O prazer é todo meu em poder estar aqui no Jornal Folk!

A exposição Plurais foi feita pensando em homenagear o dia internacional das mulheres e gêneros afins. 

É uma honra ser escolhida para estar no meio de outras grandes artistas.

Em meio ao crescimento acelerado das novas gerações, começou a ficar mais e mais normal as pessoas se perderem de si e se desvencilharem da ideia de que elas devem ser elas mesmas, focando apenas em ser quem elas “devem” ser.

Como mulher, é meu papel perante a sororidade ajudar as outras mulheres a perceberem que há, sim, espaço para sermos quem quisermos e do jeito que preferirmos, seja em um contexto tão fechado quanto a arte ou no dia a dia com a moda.

Victor Hugo Cavalcante: Sua obra Struggle parece desafiar as noções convencionais de beleza e identidade. O que a inspirou a criar essa peça e qual mensagem você espera transmitir aos espectadores?

Acho que Struggle é imensamente baseado nas coisas que passei na minha adolescência e que vi depois minha irmã, da geração seguinte a minha, passar pelas mesmas coisas, os mesmos pensamentos e sentimentos.

O que, para ser sincera, quebrou meu coração.

Struggle segue a ideia de que ficamos tão focados em nossa imagem refletida em espelhos, celulares e filtros, que esquecemos de perceber a beleza que se encontra na realidade.

As nossas reflexões são frias e sem vida, apenas uma imitação deturpada do que realmente somos, enquanto ignoramos a verdadeira beleza em nossas imperfeições e na essência que acompanha elas.

Victor Hugo Cavalcante: Você menciona a ideia de “viver de olhos abertos e peito fechado” em seu trabalho. Como isso se relaciona com sua própria jornada pessoal e suas experiências como artista?

A ideia de seguir o caminho que leva a nós mesmos é bonita, mas imperfeita.

O caminho nem sempre é o que parece ser o certo, estamos sempre olhando e focando no que é o real e palpável e esquecemos de seguir os nossos corações e sentimentos na hora de tomarmos decisões.

No início da minha vida adulta, achei que largar a arte como trabalho seria o certo para poder focar em estudos e profissões consideradas de alto valor a sociedade, o que foi me deixando de pouco em pouco mais melancólica e diferente de quem eu sou.

A arte para mim é muito mais do que apenas as tintas, os pinceis e as folhas, a arte é meu interior exposto para todos verem, renegar isso era desmentir quem eu sou.

Victor Hugo Cavalcante: Você possui formação acadêmica em biomedicina e sua paixão pela arte, como você equilibra essas duas áreas em sua vida e prática artística?

Essa é uma ótima pergunta com uma resposta no mínimo decepcionante, a verdade é que é difícil e muito cansativo.

A minha vida ativamente não para e a muito tempo não sei o que significa férias, mas eu amo ambos os meus trabalhos e sempre que me falta forças, lembro de pessoas na minha vida como minha querida assessora Paula Ramagem e minha fotógrafa Alice Araujo junto ao Mario Augusto, que tem as vidas tão caóticas quanto a minha e ainda assim me ajudam e me apoiam em tudo.

Não se consegue nada sozinho nessa vida, então sou eternamente grata as pessoas que realmente estão comigo e acreditam em mim.

Victor Hugo Cavalcante: Você mencionou tem um estilo próprio que mistura influências de realismo, HQ e surrealismo. Como você desenvolveu esse estilo único e quais artistas ou movimentos foram importantes para sua formação?

Acho que o desenvolvimento de um estilo é algo progressivo e nunca chega a um verdadeiro fim, estamos sempre evoluindo e mudando nossos traços e para mim essa é a parte mais bonita.

Foi muito estudo em história da arte, dos grandes artistas e diferentes materiais para chegar hoje em dia em um estilo que considero meu, cheio de cores, linhas grossas e simbolismos fortes.

Meus movimentos favoritos foram o simbolismo e modernismo, além de artistas clássicos como Candido Portinari, Claude Monet, Frida Kahlo e artistas modernos consagrados como a Marina Abramović, todos esses expressando os momentos e seus sentimentos de forma tão crua, que até hoje me causa arrepios.

Victor Hugo Cavalcante: Além da exposição Plurais, quais são seus próximos projetos ou aspirações artísticas? Existe algum tema ou técnica específica que você gostaria de explorar em breve?

Estou muito animada em anunciar pela primeira vez que vou fazer uma exposição dia 25 de abril no Espaço Cultural Pintor M.D.Gotlib no Shopping Cassino Atlântico em Copacabana.

Espero que essa e a exposição Plurais abram novas portas para meu crescimento artístico e me deem mais espaço para poder falar e ser ouvida, sejam por pessoas que querem se sentir entendidas ou pessoas que ainda não entenderam o que sentem.

Ninguém está sozinho, desde que se permitam serem encontrados.

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