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Livro oferece análise saborosa sobre a Guerra dos Cem Anos

Pena ágil de Georges Minois alterna narrativas detalhadas dos eventos e uma multiplicidade de exames, onde o conflito aparece como uma epopeia sangrenta e fundadora.

Imagem-montagem com foto do livro A Guerra dos Cem Anos: o nascimento de duas nações.

A questão é essencialmente formal, mas crucial ao se tratar de um termo consagrado como A Guerra dos Cem Anos.

Será que esse título é uma invenção dos historiadores em busca de expressões impactantes, ou realmente houve um conflito tão prolongado?

Se for o caso, estaríamos diante de um recorde absoluto, tão impressionante que levanta dúvidas.

Essas dúvidas são reforçadas pelo fato de que nenhum contemporâneo ao conflito jamais usou esse termo.

Em 1453, ninguém estava ciente de que estavam saindo de uma guerra de cem anos.

Nenhum tratado declarou seu fim, e nem mesmo se sabe ao certo quando ela começou.

Pois para mergulhar neste conflito e em suas implicações e contradições, nasce A Guerra dos Cem Anos: o nascimento de duas nações, do renomado historiador francês Georges Minois, em lançamento da Editora Unesp.

“As pessoas certamente sabem que estão envolvidas em um conflito interminável entre os reis da França e da Inglaterra. Porém, esse conflito é tão pontuado por tréguas e tratados que a cada vez parecem definitivos, como em Brétigny e em Troyes, que não é possível saber de verdade se o que ocorre é uma série de várias guerras ou um conflito único”, escreve Minois.

“O fim é ainda mais problemático do que o começo, uma vez que nenhum texto oficial é assinado: nem armistício, nem tratado de paz. Nada. É preciso aguardar quase quatro séculos para que, finalmente, a ‘Guerra dos Cem Anos’ fosse oficializada”.

Ao longo das mais de seiscentas páginas, ficamos sabendo que, se as datas geralmente aceitas são 1337–1453, ou seja, 116 anos, é porque nesse período o confronto atingiu sua máxima intensidade e, apesar das tréguas, os dois países estiveram verdadeiramente em estado de guerra.

Uma guerra aberta, com cercos, batalhas e destruição, ou uma guerra “fria”, especialmente durante os reinados de Ricardo II e Henrique IV, nas décadas de 1390 e 1400.

Segundo o autor, o que torna este conflito único é a constância dos protagonistas e dos seus objetivos: o rei da França contra o rei da Inglaterra, em torno da reivindicação deste último pela posse total ou parcial do reino da França.

Essa foi a causa declarada de um século de massacres.

No entanto, como sabemos, os objetivos declarados escondem realidades mais profundas envolvendo religião, política, economia e, na origem de tudo, questões de gênero ligadas à sucessão do trono.

Neste livro, Georges Minois pretende mostrar que essa guerra vai muito além do simples confronto entre duas monarquias.

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