Observadora, intensa e criativa, ainda criança, Lila, protagonista do romance “O mundo de Lila — Parte I” (Editora Viseu), construiu um universo paralelo dentro de si para enfrentar problemas reais.
Neste livro, a escritora e pós-graduanda em psicanálise Adriana Sacchi apresenta o chalé imaginário onde a protagonista se refugia diante de conflitos e frustrações.
Com elementos de realismo mágico, a história acompanha diferentes fases da personagem, desde a infância e adolescência até a vida adulta, em uma profunda narrativa sobre espaço de escuta, cuidado e amadurecimento.
Localizado no alto de uma montanha e cercado por natureza, o chalé criado por Lila representa um local simbólico de elaboração emocional.
Lá, ela não está sozinha: o abrigo psíquico também é habitado por diferentes figuras que fazem companhia para diálogos na hora do café, como Dona Alice e o Senhor Alfredo.
Esses personagens não são simples criações infantis, mas vozes internas de questionamento e orientação, compondo uma espécie de rede de apoio que amadurece junto à garota.
“Não passava um dia sem que Lila aparecesse no chalé, fosse para meditar, rezar, conversar ou pedir ajuda.”
(O Mundo de Lila, p. 5)
À medida que Lila cresce, ela continua recorrendo ao refúgio para lidar com relações familiares, decisões profissionais e perdas.
É ali que ela ensaia respostas e constrói sentidos quando atravessa experiências como: o relacionamento difícil com a mãe, marcado por rejeição e ciúmes; a morte precoce do pai, com quem tinha mais proximidade; a mudança para Paris, onde vive conflitos entre maternidade e carreira.
A permanência do chalé ao longo da vida reforça o eixo psicológico da obra, a partir da ideia de que certos mecanismos desenvolvidos na infância não desaparecem, apenas se ressignificam.
É nesse ponto que o livro se ancora no realismo mágico, integrando o imaginário à realidade sem ruptura explícita entre um e outro, um lembrete de que sentir profundamente e imaginar também é uma forma de coragem.
Com sensibilidade, Adriana Sacchi aborda temas como construção de identidade, autonomia, solidão e a importância de valorizar espaços de acolhimento.
Uma leitura para abraçar as próprias transformações internas, “O mundo de Lila — Parte I” inaugura uma trilogia ao estilo do clássico Pollyanna, que faz o leitor refletir sobre momentos de introspecção capazes de moldar a personalidade de cada um.
O segundo volume será publicado pela Editora Viseu em março.
Sobre a autora

Adriana Sacchi nasceu em 27 de novembro de 1967, em São Paulo.
Além de “O Mundo de Lila”, é também autora do romance “Por que não?” e tem formação em Comunicação Social, História da Arte e Design de Interiores e atualmente cursa pós-graduação em Psicanálise.
Continue navegando pelo Jornal Folk e descubra conteúdos que inspiram, informam e conectam diferentes realidades.






