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Os efeitos da pandemia para a saúde mental dos profissionais da saúde

Em 2020, o mundo começou uma difícil e árdua batalha pela vida, chegava ao conhecimento público uma doença até então inédita, um novo tipo de coronavírus, que parou e desestabilizou o mundo em todos os aspectos, principalmente o mental.

Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China.

Tratava-se de uma nova cepa (tipo) de coronavírus que não havia sido identificada antes em seres humanos.

Uma semana depois, em 7 de janeiro de 2020, as autoridades chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus.

Os coronavírus, o qual são a segunda principal causa de resfriado comum (após rinovírus), estão por toda parte, mas até as últimas décadas, raramente causavam doenças mais graves em humanos do que o resfriado comum.

23 dias após a confirmação da doença, a OMS constituiu o surto do novo coronavírus como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), o mais alto nível de alerta da Organização, conforme previsto no Regulamento Sanitário Internacional.

Essa decisão buscou aprimorar a coordenação, a cooperação e a solidariedade global para interromper a propagação do vírus.

Já no mês de março de 2020, a Covid-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia.

O termo “pandemia” se refere à distribuição geográfica de uma doença e não à sua gravidade.

Ainda não se sabe a data exata em que o novo coronavírus desembarcou no Brasil, mas o primeiro caso da Covid-19 foi confirmado em São Paulo em 26 de fevereiro de 2020, quando no dia anterior, um homem de 61 anos deu entrada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com histórico de viagem para Itália, região da Lombardia.

Menos de um mês depois, o Ministério da Saúde (MS) declarou o estado de transmissão comunitária em todo o território nacional. Transtornos mentais: Uma pandemia silenciosa numa pandemia assustadora

Como se não bastasse toda a parte física de enfrentamento da Covid-19, também tivemos (e ainda temos) uma grande batalha na área da saúde mental.

Afinal, de acordo com um resumo científico divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no início de dezembro de 2022 a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25% no primeiro ano da pandemia de Covid-19

Apesar dos diversos estudos feitos ao longo da pandemia que confirmaram o impacto da doença e da crise global na saúde psíquica dos cidadãos, pouco foi feito em termos de medidas práticas no combate à crise, anunciada desde 2020, de saúde mental.

É o que mostra o mesmo estudo da OMS, que destaca as lacunas encontradas no enfrentamento da questão.

O medo de adoecer, de perder entes queridos, de ser demitido, incerteza sobre o futuro, desesperança e falta de perspectiva foram alguns dos sentimentos relatados por milhares de pessoas ao redor do mundo durante a pandemia.

No Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em um documento em janeiro de 2022 publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, indicou que mais de quatro em cada 10 brasileiros tiveram problemas de ansiedade por conta da pandemia. 

É mais do que notório que esta experiência a qual (ainda) estamos passando por conta do novo coronavírus é potencialmente estressante e inédita.

Trabalho que cura, mas também adoece: Quem cuida que quem cuida?

Todas as pessoas se viram em um momento de suscetibilidade, em que devemos nos precaver de um vírus altamente transmissível, que afetou não apenas a saúde física dos brasileiros, mas a saúde mental, a economia, o trabalho, os estudos e como nos relacionamos.

E a partir disso tudo, surgiu um questionamento: como andava a saúde mental dos profissionais da saúde durante a pandemia?

Uma pesquisa, iniciada em abril de 2020, do Núcleo de Estudos da Burocracia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ouviu cerca de 1.829 profissionais atuantes na área da saúde, como os agentes de saúde, os médicos, os enfermeiros e outros, e constatou que a maioria deles, aproximadamente 80% dos participantes, de algum modo, tiveram problemas e se sentiram atingidos em sua saúde mental ao longo dos anos devido aos efeitos da pandemia.

Os médicos Pedro Murari de Barros (Botucatu-SP) e Cleidjane Furtado Rezende (Ouroeste-SP) e a técnica de enfermagem Ângela Cardoso Zaparoli, de Fernandópolis-SP, nos contam um pouco sobre como andou a saúde mental deles durante o auge da pandemia e como observaram esta questão em seus companheiros de profissão que também trabalharam na linha de frente de combate à Covid-19:

“No começo da pandemia, quando eu comecei a trabalhar, acho que teve uma questão de ansiedade grande mais relacionada ao medo de passar isso para algum parente, mas tive a possibilidade de meus pais ficarem no sítio e eu ficar aqui na cidade e isso me tranquilizou um pouco porque eu não me via tanto num risco de pegar, como um risco para mim, já que o lugar que eu trabalhava tinha EPI, então eu tinha os materiais de proteção, os equipamentos e não estive em nenhum momento com pacientes graves, de UTI, essas coisas, já que sempre fiquei na linha de frente, porém atendendo mais a população em geral, fazendo triagem, indo nas casas. Mas mesmo assim era um ambiente difícil, em que muitas vezes a gente pegava famílias muito vulneráveis e diante dessas situações, com alguns pacientes graves” conta o botucatuense.

Já a médica ouroestense equiparou o Covid-19 a uma montanha-russa, com picos e vales, tanto na questão de tratamento, quanto em aprendizagem e claro nas emoções.

“Por mais que estejamos um pouco acostumados a lidar com frustrações, luto, euforia em nosso dia a dia como profissionais da saúde, e eu digo acostumados porque os sentimentos existem e são os mesmos que qualquer pessoa que não é da área, a diferença é que aprendemos a controlar e mascarar melhor os sentimentos na hora da emergência”.

Ela ainda comenta que os picos e vales eram simultâneos ou com minutos de diferença:

“Tínhamos um paciente recebendo alta com toda gratidão dele e dos familiares, o que nos transbordava de alegria, equiparados ao nascimento de um familiar e no mesmo momento que estávamos enxugando as lágrimas após um choro escondido por perder um paciente ao qual você lutou com tanto afinco para tentar manter vivo. E o pior era lidar com a frustração da perda associada com a dor emanada em nós pelas famílias, no meu caso todas conhecidas, em perder seu familiar e não ter a dignidade de poder velá-lo”.

“Um dia de montanha-russa todo mundo que trabalha com isso consegue, o problema que foram meses. O desespero de não conseguir uma vaga de UTI e saber que você não tem o recurso necessário para seu paciente. Nesses meses vi muitos amigos caírem. Afastarem por exaustão física e mental. Afastarem por um ou dois dias, pois quando dava para voltar em si. Batia o desespero do soldado sabendo que não tem o direito de abandonar a batalha”.

“Tenho uma grande amiga que me marcou muito! Ela em 12h de plantão, em uma UTI, perdeu cinco pacientes de idades e sexos diferentes. Estavam vários médicos na UTI esse dia, porém nenhum conseguiu evitar os óbitos. Essa minha amiga surtou, claro. Me ligou chorando, falando que não sabia lidar com isso e que era tudo culpa dela as mortes. Dois dias após, lá estava ela, sobre o leito lutando com todas as forças para manter outro paciente vivo”.

A Dra. Cleidjane Rezende ainda complementa que os médicos não tinham tempo nem direito de ser fracos.

“Se deixou sequela? Ah com certeza. Eu não gosto de falar sobre esse assunto. Mesmo achando que lidei muito bem com toda a parte emocional. Falar é reviver o turbilhão de sentimentos. E os ruins sempre prevalecem na nossa cabeça”. Encerra a doutora ouroestense.

Já para Ângela “a saúde mental estava caótica. Todos os profissionais que trabalharam e estiveram à frente durante a pandemia apresentavam e ainda hoje apresentam ansiedade, temerosidade e depressão (medo e pressão mesmo). Uns deixavam transparecer mais e outros menos, porém todos manifestavam esse misto de sentimentos”.

Dra. Elaine Di Sarno, psicóloga e neuropsicóloga da USP comentou os tipos de transtornos que mais acometeram as pessoas durante o auge da Covid-19:

“Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde com mais de 17 mil pessoas, mostrou que 86,5% dos entrevistados apresentavam quadro de ansiedade. Atualmente o nível de estresse está alto e, nesse contexto, ansiedade e depressão, junto às demandas profissionais e pessoais. Estudo realizado pela Fiocruz com outras seis universidades em meados de 2020 dizia que sentimentos frequentes de tristeza e depressão afetavam 40% da população adulta brasileira, e sensação frequente de ansiedade e nervosismo foi relatada por mais de 50% das pessoas”.

Dra. Elaine Di Sarno também é psicóloga pesquisadora do Programa de Esquizofrenia – PROJESQ do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Crédito Carlos Alkmin

A especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e em avaliação neuropsicológica pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP ainda afirma que além do medo de contrair a doença, a Covid-19 tem provocado sensação de insegurança em todos os aspectos da vida, da perspectiva coletiva à individual, do funcionamento diário da sociedade às modificações nas relações interpessoais.

Dr. Pedro Murari, Dra. Cleidjane Furtado e a técnica de enfermagem Ângela Zaparoli responderam suas observações sobre como foi o suporte (ou se chegou a ter algum apoio) do hospital que trabalham para os profissionais que tiveram algum transtorno mental decorrente do auge da pandemia.

“Dentre os colegas de trabalho, eu percebia muitos casos de ansiedade, mas de Burnout eu acabei não observando, eu não tive nenhum tão próximo. Já lá na residência eu tinha que dar plantões pelo Covid também, aí eram pacientes mais graves. Mas era um plantão de porta, então eu recebia esses pacientes e já mandava lá para cima, não ficava acompanhando.” relata o médico de Botucatu.

Dr. Pedro ainda comenta que embora eles tivessem o ambulatório de saúde mental para atender os médicos, eles se sentiam muito expostos se fossem e complementa:

“Respondendo essa segunda parte, se o hospital dava um apoio, se a gente conseguia ter bastante suporte, não, não tivemos. Eu diria que algumas pessoas, principalmente as mais vulneráveis, passaram por períodos de desestabilização. Hoje no ambulatório acaba que a gente recebe bastante funcionário não médico, mas outros funcionários do hospital a gente atende lá e eu percebo que houve sim um aumento da demanda, principalmente relacionado à ansiedade e, para alguns, depressão”.

E quando questionada quanto ao suporte emocional técnico, com profissional especializado nisso, a Dra. Cleidjane respondeu que não teve.

“Nosso apoio éramos nós profissionais e nossos familiares, e meu ponto de apoio era a família. Mesmo grávida e com inúmeros riscos, ninguém da minha casa nunca me disse para não ir! Sempre falavam para que tomasse cuidado e rogavam para que Deus me iluminasse. De uma forma deslumbrante um dos meus irmãos teve um papel fundamental e quando o mundo estava caindo e eu estava desesperada em perder uma vida ou não ter o recurso que precisava naquele momento, sempre ouvia a frase que estava no local e na hora que precisava estar e essas pessoas também! Diziam ‘Vai e faça seu melhor e o resto, deixa com Deus’ e isso me acalentava. Tenho dores e amarguras, mas graças a Deus, que foi meu guia nisso tudo, não tenho consciência pesada nem a sensação de que deveria fazer algo diferente, pois sei que fiz o melhor que podia na situação que eu tinha”.

Ela ainda complementa que a Covid-19 é uma caixinha fechada no subconsciente que não gostamos muito de abrir e reviver, mas que “encontrar um paciente no mercado sempre dá aquela alegria da alta novamente. Todos temos cicatrizes e isso faz parte da evolução e amadurecimento na vida. Alguns mais, outros menos, mas é inegável as marcas e a evolução pessoal de qualquer pessoa nessa área” encerra a Dra.

Já para a técnica de enfermagem fernandopolense “não houve suporte nenhum, nunca tivemos nem antes, nem durante e nem pós-pandemia. Profissionais que se doam, os heróis durante a guerra (pandemia) hoje esquecidos, que lidam com a dor física, social e emocional o tempo todo em jornadas exaustivas, nem sequer reconhecimento salarial, quanto mais atenção emocional. Vivemos no lema: Quando cuidamos da dor do outro, Deus cuida da dor da gente…”.

A psicóloga Dra. Elaine Di Sarno comentou como a saúde mental dos trabalhadores da área da saúde foi e vem sendo enfrentada durante e depois do auge da pandemia de Covid-19:

“A prevenção é de fundamental importância porque enfatiza a dimensão humana e sinaliza os cuidados quanto ao respeito à saúde do trabalhador.”.

Ela ainda afirmou que práticas gerenciais, como: comunicação adequada, concessão de poder e participação, metas definidas, capacitação de funcionários e apoio às famílias podem contribuir para a saúde mental dos funcionários, seja na área de saúde ou em outros segmentos de atuação.

“Envolver os funcionários na estruturação de suas funções e fornecer capacitação, ferramentas necessárias para um desempenho eficiente, contribui para a melhoria da qualidade do ambiente de trabalho” encerra Di Sarno.

Dra. Melissa Morais, diretora técnica da Quality Global Alliance (QGA), maior acreditadora de saúde da América Latina, também comenta suas observações da importância dos hospitais zelarem pela saúde mental de seus funcionários:

“O capital humano é o recurso mais valioso de qualquer serviço de saúde. Os profissionais de saúde, fundamentais para a prestação de cuidados seguros, foram fortemente impactados pela pandemia: sobrecarga de trabalho, escassez de equipamentos de proteção individual, medo do adoecimento, afastamento do domicílio por receio de contaminar familiares, são apenas alguns dos aspectos que trouxeram consequências para a saúde mental. Cuidar de quem cuida deve ser uma prioridade dentro da estratégia dos serviços de saúde de qualquer natureza”.

Como será que o órgão federativo responsável pela enfermagem e técnicos de enfermagem levou em conta o adoecimento mental de seus profissionais antes e durante os momentos mais críticos da pandemia causada pelo coronavírus?

Fomos saber desta questão com os responsáveis pelo Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e pelo CFM (Conselho Federal de Medicina).

“O COFEN através da Comissão Nacional de Enfermagem em Saúde Mental (CONAESM), disponibilizou uma plataforma digital para atender online nas 24h, todos os dias da semana, os profissionais de enfermagem de toda a federação, denominado Enfermagem Solidária. Este grupo foi composto por 150 enfermeiros especialistas, mestres e doutores em Saúde Mental e Psiquiatria, que se dispuseram, voluntariamente, a acolher os sofrimentos mais internalizados de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem que estavam na linha de frente na assistência ao paciente acometido pelo coronavírus”.

O Conselho Federal de Enfermagem também comentou que distribuiu Equipamento de Proteção individual (EPI) para todos os Conselhos Regionais com objetivo de garantir a não contaminação dos profissionais de enfermagem que estavam sob risco eminente de morte, devido à exposição ao coronavírus e, ao mesmo tempo, contribuiu para a solução de continuidade da assistência à população.

Já o CFM, através do conselheiro federal Salomão Rodrigues, psiquiatra e coordenador da Comissão de Assuntos Políticos do conselho federal, afirmou.

“A grande fonte de angústia do médico durante a pandemia foi a questão do desconhecimento. Estávamos diante de um vírus não conhecido. Não se sabia sobre o seu curso, evolução e sintomas. Os médicos não sabiam como a doença iria atingir cada paciente e faziam o trabalho a partir de protocolos semelhantes de outras viroses. Aí começaram a ocorrer as mortes de profissionais de saúde e isso passou a gerar mudanças de comportamento muito perceptivos entre os médicos. O número de médicos que passou a morar no hospital foi muito grande. E a morte dos colegas deixava-os mais angustiados e depressivos. Além desse desconhecimento, ainda havia a questão da carência de uma vacina, no começo, e a questão da carência de medicamentos que pudessem atuar especificamente sobre o vírus. Em resumo: houve uma mudança de vida extraordinária: médicos deixaram esposas e filhos em casa para morarem no hospital. E eles aprenderam a melhor forma de combater a virose e salvar vidar com o surgimento da vacina. O avanço das descobertas científicas foi dando maior tranquilidade aos médicos”.

O fim de uma emergência pandêmica?

O mundo recebeu, no dia 5 de maio de 2023, uma notícia da Organização Mundial da Saúde (OMS) pela qual precisou esperar 40 longos meses, o fim da emergência de saúde global da pandemia de Covid-19.

Embora, isto não signifique o fim propriamente dito da doença, essa notícia já aliviava um pouco mais a rotina do mundo.

Mas, e quanto à outra pandemia silenciosa que já vivemos?

Será que algum dia o profissional da área da saúde que perdeu vários pacientes ou até mesmos entes queridos para esta doença, poderá voltar a ter sua saúde mental em dia? 

A pandemia de Covid-19 realmente nos ensinou sobre a valorização da saúde mental dos trabalhadores dessa área profissional e, num modo geral, do mundo todo?

O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) nos contou se e como passou, ou passará, a observar minuciosamente esta questão de saúde mental de seus profissionais após o fim do auge da Covid-19:

“O COFEN recepcionou todas as queixas relacionadas as padrão de ansiedade, fobia social, depressão, ambivalência, tentativa de suicídio, automutilação, desemprego, sequelas orgânicas provocada pelo coronavírus através do serviço de ouvidoria institucional que funciona no horário comercial de segunda a sexta. Esses atendimentos são copilados em relatórios técnicos e encaminhados ao plenário do COFEN para conhecimento do padrão comportamento dos profissionais pós-Covid”.

Já o coordenador da Comissão de Assuntos Políticos do Conselho Federal de Medicina conta que “após o fim do auge da Covid-19, o médico se sentiu como se estivesse saindo de uma guerra, de um combate, aliviado. Ele começou a ter a percepção sobre a grande mudança de vida que passou. E isso gerou mais ansiedade e sintomas depressivos. Existe no mundo inteiro, e no Brasil também, várias pesquisas que estudam esse ponto: o que aconteceu com os profissionais de saúde diante do tempo de suas vidas que se sentiram numa guerra. Essa síndrome que ficou ainda não pode ser caracterizada como Síndrome de Burnout, por exemplo, nem como algo pós-traumático. As pesquisas que estão sendo feitas irão caracterizar isso. Estamos acompanhando os centros de pesquisa sobre essa questão, assim como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) também está atenta”.

Os hospitais e outros serviços de saúde (clínicas, postos de saúde, etc.) também podem (e devem) zelar pela saúde mental de seus funcionários.

Dra. Melissa Morais (foto abaixo), diretora técnica do Grupo QGA, cita algumas dicas de como fazê-lo.

Melissa possui experiência no desenvolvimento de projetos de impacto em níveis estratégicos, formação de equipes de alto desempenho, gerenciamento de conhecimento e estruturação de processos integrados. – Crédito: Divulgação

“Não estigmatizar, apoiar, reabilitar e integrar o colaborador são os pilares fundamentais. Falar sobre o problema e abrir as portas para que o profissional relate suas dificuldades é o primeiro passo. Os líderes devem ser capacitados para reconhecer os sinais iniciais e assim apoiar sua equipe. Acolher e fornecer o suporte/acompanhamento adequado, dando acesso ao tratamento necessário é igualmente importante”.

E, de modo geral, a psicóloga Dra. Elaine Di Sarno finaliza respondendo o quanto que a pandemia de Covid-19 realmente nos ensinou sobre a valorização da saúde mental do mundo todo:

“No ano de 2021 a saúde mental teve destaque mundial após a norte-americana Simone Biles, fenômeno da ginástica artística, abandonar competições em Tóquio a favor de seu bem-estar. Segundo pesquisa do Fórum Econômico Mundial, 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito no último ano. Essa porcentagem só é maior em quatro países: Itália (54%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%).”.

Ainda para a psicóloga uma saúde mental debilitada também colabora para significativas alterações sociais e condições de trabalho precárias, acentua a exclusão social e expõe o indivíduo ao risco de violência em virtude da incapacidade mental de autodefesa.

As pressões socioeconômicas influenciam continuamente os riscos para a saúde mental individual e coletiva, sobretudo, sobre as camadas mais populares.

“Estamos no terceiro momento da crise que pode ser compreendido como uma fase de reconstrução social. Após o declínio do número de novos casos e a diminuição da transmissão comunitária, as medidas de distanciamento social são reduzidas e o surto de contaminação tende a estar mais sob controle, ainda que não seja necessariamente inexistente. As pessoas começam a retomar as atividades habituais, há o retorno gradual do funcionamento das escolas, instituições e comércio, além de um menor nível de exigência de proteção contra o contágio”.

Di sarno ainda finaliza que apesar da progressiva retomada da rotina diária em curto prazo, uma série de consequências da pandemia demanda prazos médio e longo para serem revertidas.

“O isolamento social gerado pela pandemia trouxe e trará inúmeros efeitos na saúde mental das pessoas” encerra.

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